Frete rodoviário sobe com avanço das exportações, mas Conab prevê queda nos próximos meses

Os preços do frete rodoviário registraram alta em junho na comparação com o mesmo período de 2025, impulsionados pelo aumento das exportações de soja e milho. A avaliação consta no Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (28), que, apesar do avanço nas tarifas, aponta uma tendência de recuo nos próximos meses.

O levantamento mostra que a elevação foi observada nas principais rotas do país, refletindo o aumento da demanda por transporte durante o escoamento da safra. Na comparação com maio, no entanto, algumas regiões, especialmente Mato Grosso, registraram redução nos valores cobrados pelos fretes.

Segundo a Conab, o comportamento dos preços foi influenciado por fatores como custos operacionais e logísticos, além do desempenho da safra, que manteve aquecido o fluxo de exportações.

As exportações de soja cresceram 7,12% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto os embarques de milho avançaram 22,13%, contribuindo para pressionar as cotações do frete. O boletim também revisou para cima a estimativa da safra brasileira de grãos, que agora deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, volume 2,2% superior ao registrado no ciclo anterior.

Foto: Reprodução/RBS TV

Produção recorde impulsiona logística

A produção de soja atingiu um recorde de 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% em relação à safra anterior. Já a colheita de milho está estimada em 141,7 milhões de toneladas, ligeiramente acima do volume registrado no ciclo passado.

Mesmo após o pico dos embarques em abril, as exportações do complexo soja permaneceram aquecidas em junho, impulsionadas principalmente pela demanda da União Europeia, com destaque para Alemanha e Países Baixos. No primeiro semestre, os embarques cresceram cerca de 11% na comparação com igual período de 2025.

Apesar do cenário de alta observado no primeiro semestre, a expectativa da Conab é de que os fretes percam força ao longo da segunda metade do ano. A estatal avalia que a redução da oferta de grãos para comercialização após o fim da colheita, aliada ao aumento da disponibilidade de caminhões e à queda no preço do diesel, deverá contribuir para a redução das tarifas.

O boletim também informa que as importações de fertilizantes somaram 18,31 milhões de toneladas até junho, uma retração de 5,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Bahia registra estabilidade e queda nas tarifas

Na Bahia, o cenário foi diferente do observado em outras regiões do país. De acordo com a Conab, os fretes permaneceram estáveis ou apresentaram redução, especialmente nas rotas com origem em Luís Eduardo Magalhães, um dos principais polos produtores de grãos do estado.

As tarifas nessas rotas recuaram cerca de 7%, reflexo da diminuição da demanda por transporte após o pico do escoamento da safra, em abril, e do aumento da oferta de caminhões disponíveis para o transporte de cargas.

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