Injeção semestral contra o HIV mantém eficácia próxima de 100% em acompanhamento de longo prazo

Novos resultados apresentados na AIDS 2026 reforçam o potencial do lenacapavir na prevenção do HIV; medicamento ainda não tem previsão de ser disponibilizado pelo SUS.

A injeção semestral de lenacapavir, utilizada na prevenção do HIV, manteve eficácia próxima de 100% após mais de um ano de acompanhamento dos participantes dos estudos clínicos. Os novos resultados foram divulgados nesta terça-feira (21) e serão apresentados durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro.

Os dados são provenientes dos estudos PURPOSE 1 e PURPOSE 2, que acompanharam voluntários que optaram por continuar utilizando o medicamento após a conclusão da etapa inicial das pesquisas.

No PURPOSE 1, conduzido com mulheres cisgênero, 95% das participantes elegíveis decidiram permanecer no estudo. Durante as primeiras 52 semanas dessa fase de extensão, nenhum caso de infecção pelo HIV foi registrado entre as mulheres que receberam o lenacapavir. A adesão ao tratamento também permaneceu elevada, alcançando 96%.

Foto: Reprodução/Freepik

Já o PURPOSE 2, que reuniu homens cisgênero, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias incluindo participantes recrutados no Brasil apresentou taxa de permanência de 95% entre os voluntários elegíveis. Nesse período, foi registrado apenas um caso de infecção pelo HIV em um participante que havia recebido todas as aplicações dentro do prazo previsto. Os pesquisadores investigam os níveis do medicamento no organismo para esclarecer as possíveis causas da infecção.

Desde o início dos estudos clínicos, foram confirmados apenas quatro casos de HIV entre os 3.004 participantes que receberam o lenacapavir. Segundo os pesquisadores, o resultado reforça a elevada eficácia do medicamento na prevenção da infecção.

Além das pesquisas voltadas à prevenção, a conferência também apresentará os resultados dos estudos ISLEND-1 e ISLEND-2, que avaliaram uma versão oral do lenacapavir em combinação com o medicamento islatravir. Administrado uma vez por semana em pessoas que vivem com HIV, o tratamento demonstrou eficácia semelhante à dos esquemas diários atualmente utilizados, sem novos sinais de segurança preocupantes. Os ensaios envolveram mais de 1.200 participantes.

No Brasil, o lenacapavir foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano. Apesar da autorização, ainda não há previsão para que o medicamento seja disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes de ser analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), a fabricante Gilead Sciences precisa concluir a definição do preço máximo de venda junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A análise considerará critérios como eficácia, segurança e custo-benefício.

Atualmente, o lenacapavir é comercializado em outros países por valores superiores a US$ 25 mil por paciente ao ano.

Foto: Reprodução/Freepik

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