OMS alerta para colapso em hospitais da Venezuela após terremotos

O sistema de saúde da Venezuela enfrenta um agravamento da crise após os terremotos gêmeos que atingiram o país no último dia 24. O alerta foi feito nesta terça-feira (30) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontou superlotação nos hospitais, falta de profissionais e danos em unidades de saúde.

De acordo com o balanço mais recente divulgado pelo governo venezuelano na segunda-feira (29), o número de mortos chegou a 1.719. Outras 5.034 pessoas ficaram feridas e 15.866 estão desabrigadas.

Foto ilustrativa: Sindicato dos Médicos do Amazonas

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, informou que pelo menos três unidades de saúde sofreram danos graves, enquanto outras seis foram parcialmente afetadas ou funcionam com capacidade reduzida.

“Os demais permanecem em funcionamento, mas com enorme sobrecarga”, afirmou Lindmeier durante entrevista a jornalistas em Genebra, ao comentar uma avaliação realizada em 21 unidades hospitalares.

Segundo a OMS, os levantamentos iniciais identificaram um cenário de atendimento caótico, marcado por fluxo desorganizado de pacientes, superlotação e aumento da fila de cirurgias.

A organização também destacou falhas nos serviços de medicina legal e nos necrotérios, além da insuficiência dos sistemas de registro de vítimas e do acompanhamento de pessoas desaparecidas.

Na região de La Guaira, considerada a mais atingida pelos tremores, profissionais especializados em atendimento materno seguem desaparecidos, comprometendo os serviços obstétricos.

A OMS ainda alertou para o risco de surtos de doenças devido às interrupções nos serviços de saúde e nos sistemas de abastecimento de água e saneamento. O deslocamento da população também pode favorecer a propagação de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria e coqueluche.

Segundo a entidade, o cenário também aumenta o risco de disseminação de doenças como febre amarela, dengue e malária.

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