Reposição de testosterona em homens: especialistas alertam para os riscos do uso abusivo

A queda gradual da testosterona em homens a partir dos 40 anos é um fenômeno pouco discutido, mas que afeta até 20% da população masculina, segundo estudos. Esse declínio hormonal, conhecido como Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), pode provocar sintomas como cansaço, irritabilidade, dificuldade de ereção e sudorese — muitas vezes confundidos com depressão.

Foto: Adobe Stock.

Apesar de os homens continuarem a produzir espermatozoides até cerca dos 90 anos, a testosterona diminui em média 1,2% ao ano após os 40. Aos 60, estima-se que o nível hormonal esteja cerca de 25% abaixo do que era na juventude.

Diagnóstico e tratamento

De acordo com o urologista Fernando Facio, coordenador do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia, o tratamento com testosterona só é indicado para pacientes com sintomas de DAEM e níveis hormonais abaixo da faixa considerada normal. Esses casos são classificados como hipogonadismo.

Para homens entre 45 e 50 anos que ainda desejam ter filhos, a recomendação é o uso de citrato de clomifeno, que estimula a produção natural de testosterona sem comprometer a fertilidade.

Facio alerta que o uso indiscriminado da testosterona pode levar o testículo a interromper sua produção natural, além de provocar efeitos colaterais como:

  • Hipertrofia da musculatura cardíaca
  • Alterações hepáticas
  • Acne e queda de cabelo
  • Infertilidade
  • Agravamento de câncer de próstata ou mama em pacientes com diagnóstico prévio

“A testosterona não causa câncer de próstata, mas não pode ser administrada em pacientes que já têm a doença”, explica o médico.

Formas de reposição

A reposição pode ser feita por meio de:

  • Gel de testosterona, aplicado diariamente
  • Injeções intramusculares, com frequência quinzenal ou trimestral

Dados e prevenção

Estudos indicam que entre 6% e 12% dos homens entre 40 e 69 anos apresentam sintomas de hipogonadismo. Já a baixa hormonal sem sintomas é observada em cerca de 23% dos homens após os 40 anos.

Segundo o IBGE, a expectativa de vida das mulheres no Brasil é de 79,7 anos, enquanto a dos homens é de 73,1. Para os especialistas, a diferença está ligada ao fato de que as mulheres buscam mais prevenção, enquanto os homens tendem a procurar tratamento apenas quando já apresentam sintomas.

“Muitos homens se adaptam aos sinais da baixa de testosterona e não buscam ajuda médica”, afirma Tiago Mierzwa, também da Sociedade Brasileira de Urologia.

Com informações do G1.

FONTES / CRÉDITOS:

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nossas notícias diretamente em seu email.

Inscrição realizada com sucesso Ops! Não foi possível realizar sua inscrição. Verifique sua conexão e tente novamente.

Anuncie aqui

Fale conosco