No início de março, a cidade de Medianeira, no Paraná, foi palco de um espetáculo natural surpreendente. Centenas, talvez milhares, de andorinhas sobrevoaram a área central ao entardecer, em uma revoada que chamou a atenção do auxiliar administrativo Tanner Rafael Gromowski. Acostumado a presenciar esse fenômeno desde 2006, ele se impressionou com a aproximação incomum das aves.

Foto: Tanner Rafael Gromowski
Segundo Gromowski, as andorinhas costumam permanecer na cidade por três a quatro meses, sempre se reunindo no final do dia para uma espécie de dança aérea que dura cerca de 20 minutos. No entanto, este ano, a cena foi ainda mais marcante. “Foi uma verdadeira surpresa, surreal”, relatou. O horário desse espetáculo natural se mantém constante, entre 18h30 e 19h30, embora alguns moradores tenham observado bandos também pela manhã, pouco depois das 5h.
A presença das aves desperta diferentes reações na comunidade. Enquanto crianças e idosos se encantam com a revoada, outros moradores reclamam do barulho noturno e da sujeira causada pelos pousos em árvores próximas às calçadas. “Para mim, isso não é um problema. É algo natural, afinal, são aves migratórias”, ponderou Gromowski.
O ornitólogo Fernando Igor de Godoy analisou as imagens registradas e acredita que as aves sejam andorinhas-grandes (Progne chalypea), comuns na região neste período. No passado, esses bandos eram ainda mais numerosos, mas sua presença tem diminuído, principalmente devido a ações humanas, como o uso de fogos de artifício para espantar os animais.
As andorinhas migram em grandes bandos como forma de proteção e costumam fazer paradas estratégicas em busca de alimento e abrigo durante suas longas jornadas. Segundo o especialista, a grande concentração dessas aves em Medianeira pode estar relacionada ao período pós-reprodutivo, quando deixam de cuidar dos filhotes e seguem suas rotas migratórias.
Além de sua beleza e impacto visual, as andorinhas desempenham um papel importante no equilíbrio ambiental. Adaptadas a áreas urbanas, pousam em fios elétricos e estruturas metálicas, enquanto no campo preferem árvores secas. Como se alimentam de insetos, ajudam no controle de pragas urbanas, como os pernilongos.
A revoada pode ser passageira, mas deixa sua marca no céu e no imaginário dos moradores de Medianeira, dividindo opiniões, mas reafirmando a riqueza da vida selvagem no cotidiano urbano.
Com informações do G1.