O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, admitiu em depoimento à Polícia Federal que a instituição enfrentava sérios problemas de liquidez e que seu modelo de negócios era baseado no uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A declaração foi dada no fim de 2025 e consta em transcrição obtida pela investigação.

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Segundo Vorcaro, a pressão por liquidez surgiu após relatórios do Banco Central apontarem mudanças regulatórias e condições desfavoráveis do mercado financeiro. Ele afirmou que não havia irregularidade no modelo adotado, mas que as regras foram alteradas quando o banco começou a crescer.
O empresário explicou que a cessão de ativos se tornou a principal forma de captação do Master até o anúncio de sua compra pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Após a divulgação da negociação, as fontes de captação foram fechadas, agravando a crise.
Vorcaro disse ainda que o banco chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês, mas reduziu o volume para tentar preservar liquidez. O modelo evoluiu para uma dependência agressiva da cessão de ativos e do suporte do FGC, com foco em crédito consignado, emissão de cédulas de crédito bancário (CCBs) e uso de originadores terceirizados. Para sustentar o banco durante a crise, afirmou ter aportado quase R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal.
Ressarcimento aos investidores
O FGC, associação privada que atua como seguro para o sistema financeiro, começou a ressarcir os correntistas e investidores do Master no dia 19 de janeiro. O fundo garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de crise bancária.
Até a noite de segunda-feira (19), cerca de 600 mil credores já haviam solicitado o ressarcimento. O processo busca assegurar a estabilidade do sistema e proteger os investidores afetados pela liquidação da instituição.
O caso segue em investigação pela Polícia Federal e pelo Banco Central, que analisam os impactos da estratégia adotada pelo Master e as circunstâncias que levaram à sua crise de liquidez.
Com informações do G1.