A Câmara e o Senado dos Estados Unidos realizam, nesta segunda-feira (6), uma sessão conjunta para certificar oficialmente a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2024. O evento, que acontece no Capitólio, sede do Congresso americano em Washington D.C., terá início às 15h, no horário de Brasília, e conta com um esquema reforçado de segurança em razão de temores de possíveis protestos ou tentativas de interrupção.

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A medida de segurança extraordinária foi adotada após o Secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos declarar a cerimônia como um “Evento Nacional de Segurança Especial” — a primeira vez que essa designação é aplicada em uma certificação eleitoral. A classificação foi solicitada pelo prefeito de Washington D.C., resultando na instalação de cercas no entorno do Capitólio e no aumento da presença de agentes de segurança para proteger o local.
Cerimônia liderada por Kamala Harris, candidata derrotada
A vice-presidente Kamala Harris, que perdeu a disputa para Trump na eleição de novembro de 2024, presidirá a sessão, cumprindo o papel determinado pela Constituição americana, que atribui ao vice-presidente a liderança do Senado. Essa responsabilidade inclui supervisionar a contagem oficial dos votos do Colégio Eleitoral.
Embora incomum, o cenário em que um vice-presidente preside a sessão de certificação que confirma sua própria derrota não é inédito. Em 2001, Al Gore, então vice-presidente e candidato democrata derrotado, comandou o processo que oficializou a vitória de George W. Bush nas eleições de 2000.
A certificação é o passo final para validar o resultado da eleição presidencial, garantindo que o vencedor, no caso Trump, seja confirmado antes da cerimônia de posse, marcada para o dia 20 de janeiro. Trump garantiu a maioria necessária de pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral em 17 de dezembro de 2024, consolidando sua vitória.
Possibilidade de contestações
O sistema eleitoral dos Estados Unidos permite que membros do Congresso contestem a contagem dos votos durante a sessão de certificação. Para que uma objeção seja considerada, ela deve ser apresentada por escrito e contar com a assinatura de pelo menos um quinto dos senadores e um quinto dos deputados da Câmara dos Representantes.
Se uma objeção for aceita, a sessão conjunta é suspensa para que cada Casa debata o assunto separadamente. Após as discussões, ambas votam para decidir se a contestação será aprovada. No entanto, nunca houve, na história americana, uma anulação de votos de delegados durante esse processo.
Memória da invasão ao Capitólio em 2021
A certificação de 2025 ocorre sob a sombra do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump invadiram o prédio para tentar impedir a validação da vitória de Joe Biden nas eleições de 2020. O evento, que deixou mortos e feridos, interrompeu temporariamente a sessão presidida por Mike Pence, então vice-presidente e companheiro de chapa de Trump.
O ataque de 2021 se tornou um marco na política americana, gerando investigações, processos judiciais e mudanças na segurança de eventos públicos de grande importância. À época, Trump se recusou a aceitar a derrota e alegou, sem apresentar provas, que a eleição havia sido fraudada.
Agora, com sua vitória garantida em 2024, a expectativa é de que o evento de certificação transcorra de forma pacífica, ainda que sob vigilância rigorosa. Especialistas em segurança destacam que o reforço no Capitólio reflete o aprendizado após os acontecimentos de quatro anos atrás. O objetivo é evitar qualquer interrupção e garantir a continuidade tranquila do processo democrático.
Mesmo sob críticas de opositores e com o país polarizado, Trump está prestes a iniciar mais um mandato, representando uma vitória significativa para seus apoiadores e uma nova fase de desafios para os Estados Unidos.
Com informações do CNN Brasil.