Vídeos de brigas na Ceasa viralizam e expõem rotina de tensão no maior centro de abastecimento do Rio

Um perfil no Instagram chamado UFC Ceasa RJ vem chamando atenção ao reunir dezenas de vídeos de trabalhadores em confronto físico dentro da Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa), em Irajá, na Zona Norte da capital. As imagens, que lembram cenas do filme “Clube da Luta”, mostram disputas que acontecem em corredores, estacionamentos, peixarias e até entre caixas de frutas, sempre com colegas em volta assistindo, incentivando e, em alguns casos, apostando no resultado.

Foto: Divulgação.

A página já acumula mais de 75 mil seguidores e quase duzentas publicações, transformando em espetáculo episódios que, segundo os próprios trabalhadores, fazem parte da rotina do mercado. O perfil descreve a lógica dos vídeos como “brigas do calor do momento”, afirmando que, logo após os embates, os envolvidos voltam ao trabalho normalmente.

Funcionários relatam que os motivos dos confrontos são banais: disputas de espaço nos corredores com carrinhos de carga, concorrência por clientes e preços, fofocas ou até desentendimentos por futebol. Um trabalhador, sob anonimato, contou que há casos de brigas marcadas para o fim do expediente, em situações que remetem ao filme “Te Pego Lá Fora”, de 1987. A sobrecarga de trabalho, a pressão diária e os problemas pessoais também seriam gatilhos constantes.

As cenas, que viralizam rapidamente nas redes sociais, dividem opiniões. Enquanto alguns seguidores comentam com humor ou analisam os golpes como se fossem lutas profissionais, outros criticam a banalização da violência e questionam as condições de trabalho no local. Há quem veja nos embates uma válvula de escape para jornadas intensas e pouco reconhecimento, mas também quem alerte para o risco de tragédias caso a situação não seja controlada.

Do ponto de vista legal, especialistas lembram que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) obriga as empresas a garantirem segurança e integridade física dos funcionários. A advogada trabalhista Sandra Morais explica que, se houver omissão na prevenção ou fiscalização de conflitos, a responsabilidade pode recair sobre a Ceasa ou sobre as empresas permissionárias que atuam no espaço. O Código de Conduta da Ceasa, por sua vez, prevê sanções para condutas que comprometam a imagem da instituição ou desrespeitem a dignidade dos trabalhadores, embora não cite diretamente os confrontos físicos.

A administração do mercado classificou os episódios como isolados e repudiou qualquer forma de violência. Em nota, destacou que o espaço recebe mais de 60 mil pessoas por dia, conta com vigilância própria 24 horas e tem apoio constante da Polícia Militar, cujo batalhão fica ao lado da unidade. Segundo a Ceasa, o ambiente é seguro para comerciantes, trabalhadores e consumidores, e medidas preventivas seguem sendo adotadas.

Com informações do G1.

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