Venezuela: Ex-candidato opositor é preso a três dias da posse de Maduro, acusado de tentativa de golpe de Estado

A tensão política na Venezuela atinge novos níveis a três dias da posse de Nicolás Maduro para seu novo mandato. Enrique Márquez, ex-candidato à Presidência pelo partido Centrados, foi preso, acusado de tentar articular um golpe de Estado e de planejar uma posse paralela à de Maduro. Segundo o governo venezuelano, Márquez estava conspirando para realizar a cerimônia de posse do opositor Edmundo González, que seria realizada em uma das embaixadas venezuelanas no exterior.

Foto: Divulgação.

A prisão de Enrique Márquez ocorreu no dia 7 de janeiro e foi denunciada por sua esposa, Sonia Lugo de Márquez, em uma postagem nas redes sociais. Ela descreveu o ocorrido como um sequestro por grupos paramilitares que, segundo ela, usam a força para intimidar e silenciar aqueles que defendem uma Venezuela diferente. “Já se passaram 24 horas desde que meu marido, Enrique Márquez, foi sequestrado. Grupos paramilitares querem silenciar e intimidar aqueles de nós que temos uma visão diferente para o país”, afirmou a esposa do ex-candidato.

O governo da Venezuela, por meio de Diosdado Cabello, ministro do Interior, confirmou que Márquez é acusado de organizar um golpe de Estado e de formar um governo paralelo. Cabello detalhou que um grupo de conspiradores, liderado por Márquez, planejava reunir-se em uma embaixada estrangeira para realizar a posse de Edmundo González, oponente de Maduro. “Enrique Márquez é o responsável por esse golpe de Estado. Não há anjos aqui, menos entre os opositores”, afirmou Cabello, lançando acusações contra os envolvidos na tentativa de subversão.

A acusação de tentativa de golpe e a formação de um governo paralelo geraram reações dentro da oposição. Deputados do partido Copei, crítico de qualquer iniciativa de governo paralelo, repudiaram a formação de um novo governo interino. Juan Carlos Alvarado, secretário-geral do Copei, afirmou que “é inaceitável um governo interino que tente deslegitimar as instituições do Estado venezuelano e que se atribua autoridade sobre os ativos da República no exterior”. Vale lembrar que, em 2019, o deputado Juan Guaidó autoproclamou-se presidente da Venezuela, recebendo apoio internacional e assumindo o controle dos ativos do país no exterior.

Agora, a oposição, representada por Edmundo González, acusa o governo de fraudar a eleição presidencial de 2024 e promete retornar ao país antes da posse de Maduro, marcada para o dia 10 de janeiro. Para esta quinta-feira, 9 de janeiro, manifestações convocadas por grupos opositores estão previstas.

Repercussão internacional

A prisão de Enrique Márquez teve grande repercussão internacional, especialmente entre os países da América Latina. O presidente colombiano, Gustavo Petro, criticou a detenção, ressaltando que a prisão de figuras proeminentes da oposição, como Márquez e o defensor dos direitos humanos Carlos Correa, impedem sua presença na cerimônia de posse de Maduro. “Esses e outros fatos me impedem de estar presente na posse de Nicolás Maduro”, declarou Petro, referindo-se à prisão de Correa, diretor da ONG Espaço Público, que foi detido no centro de Caracas. Até o momento, seu paradeiro é desconhecido.

Apesar das críticas, o presidente colombiano reforçou que a Colômbia não romperá relações com a Venezuela e não intervirá em seus assuntos internos. No entanto, Petro pediu que os direitos humanos sejam respeitados no país. “Pedimos, com base na nossa própria luta pelos direitos humanos, que eles sejam respeitados por todos na Venezuela”, afirmou o presidente da Colômbia.

Contexto eleitoral e crise interna

A crise política na Venezuela se intensificou desde as eleições de julho de 2024, quando Nicolás Maduro foi reeleito. A oposição e vários organismos internacionais, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, contestaram a legitimidade das eleições, apontando falhas no processo, como a ausência de auditorias e a falta de transparência na divulgação dos resultados. Essas contestações resultaram em um clima de violência, com dezenas de mortos e mais de 2.000 presos. Nos últimos dias, mais de 1.500 detidos nas manifestações foram liberados pela Justiça venezuelana.

O governo de Maduro, por sua vez, defende a legitimidade da eleição, alegando que foi ratificada pelas instituições venezuelanas, como o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ). Maduro tem exigido que a oposição aceite a decisão dos tribunais e que os governos estrangeiros respeitem a soberania interna da Venezuela, sem interferir nos assuntos do país.

A prisão de Enrique Márquez e os desdobramentos das tensões políticas na Venezuela seguem gerando discussões tanto no cenário interno quanto internacional, à medida que o país se aproxima da posse de Maduro para um novo mandato.

Com informações do Metrópole.

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