Uma reflexão aos homens neste dia

Por Emília Mazzei, jornalista.

8 de março de 2025. Dia Internacional da Mulher. São 48 anos desde que a data foi instituída pela ONU, dezenas de anos após nossa reivindicação ao direito cidadão de votarmos. Porque a história se constrói em processos, longos processos.


Neste sábado, amanheço com flores, chocolates e inúmeras mensagens prontas e algumas redigidas, todas enaltecendo a nós, mulheres, ou pela beleza, pela força, pela geração da vida. Me soa superficial. Gera um certo incômodo. Em alguns casos, chega a embrulhar o estômago.


Valorizar a mulher, por todas as suas características que as diferem dos demais seres, é, acima de tudo, atitude. É ação, é o exercício do combate à violência sofrida diariamente por nós. E é o exercício que se exige de cada homem. De vocês homens, principalmente. Saibam disso.


O homem que ocupa um lugar de chefia e liderança e que pode transformar o local de trabalho em um ambiente respeitoso e justo; o colega de trabalho que deve tratar suas companheiras com respeito, sem piadinhas, sem avançar o sinal rumo ao interesse sexual; o homem comum, que pode caminhar pelas ruas sem se virar para olhar nossas bundas, ou sem fazer gracinha. Homem que acha que pode nos usar sexualmente, forçosamente, nos tocar sem permissão. Maridos que podem fazer suas atividades em casa, contribuindo com a divisão justa do trabalho. Parentes e parceiros que podem não matar nós, mulheres, por nos verem como suas propriedades.

Somos 140 mulheres ou meninas mortas intencionalmente, todos os dias, um assassinato a cada 10 minutos. Esses são alguns exemplos. Mas têm exercícios diários para todos os tipos de homem que se importem realmente com essa realidade.


O dia de uma mulher é uma luta. A insegurança, a violência, o desrespeito, o abuso, a invasão, a exploração, a pressão, estão nos cercando e nos mostrando o quanto somos desvalorizadas, oprimidas e desrespeitadas. Todos os dias.


Um pó de pirlimpimpim poderia cair sobre a terra, fazendo os homens entenderem, num passo de mágica, que somos, em essência, fortes, sensíveis, contraditórias e livres. E que queremos viver do nosso jeito, não sob o comando de qualquer sistema desenhado para nos diminuir e agredir. Queremos experimentar a plenitude da vida, que somos as geradoras.


Infelizmente a mágica não acontece desse forma, mas pode ser construída, com atitudes conscientes e na firme defesa do que se declaram os elaborados cartões de felicitações. Podem presentear. Nós gostamos. Mas esse convite vai além: homens, ajam e reajam!

*Este artigo representa integralmente a opinião e a linha editorial do site Por Escrito.

FONTES / CRÉDITOS:

5 Comentários

  • ANDREA M M RAMOS

    Muito bom este artigo da Emília Mazzei. Eu também torço por este pó de de pirilimpimpim!

  • Evandro

    Meus parabéns para vcs mulheres vcs são incríveis

  • Carmen Dulce Chaves

    Parabéns Emília, dar palavras aos nossos sentimentos.
    Beijos

  • Cláudia Machado

    Sempre reflita essas questões nessa data. Ainda me soa como hipocrisia parte das felicitações que me chegam, mas sigamos lutando na construção de uma sociedade justa e igualitária.

  • Raymundo Mazzei

    Belíssima e oportuna reflexão! Nós, homens, não fomos orientados, nem a sociedade educada nesse Sentido. Mas nunca é tarde pra despertarmos e sermos seres de Amor e Respeito pela Mulher. Tô nessa cruzada. Beijos!

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