O turismo, muitas vezes associado apenas ao lazer, tem se mostrado uma ferramenta eficaz de conservação ambiental quando planejado com critérios. No Brasil, iniciativas em parques nacionais e projetos privados revelam o potencial do setor para proteger a biodiversidade e impulsionar o desenvolvimento local.

Foto: Eduardo Fragoso.
No Pantanal, o projeto Onçafari transformou a onça-pintada em símbolo de conservação e ativo econômico. A iniciativa estruturou safáris fotográficos e pesquisa de campo, aproximando comunidades e fazendeiros do maior felino das Américas. “As onças valem mais vivas do que mortas”, afirma Mario Haberfeld, fundador do projeto. Ex-peões de gado foram capacitados como guias e passaram a receber melhor remuneração, enquanto proprietários diversificaram suas atividades com o ecoturismo.
Modelos replicáveis e impacto social
O modelo do Onçafari já avança para outros biomas, como o Cerrado, com foco no lobo-guará. Haberfeld destaca a importância de regras claras para evitar interferências no comportamento dos animais e garantir a qualidade da experiência.
Em Bonito (MS), o controle de visitantes e a cobrança de taxa de conservação ajudam a preservar rios e cavernas. Em Maragogi (AL), turistas participam do plantio de corais, contribuindo para a recuperação dos recifes. Já em Santa Catarina, o Instituto Alouatta promove trilhas e educação ambiental, com mais de 25 mil participantes.
Comunidades quilombolas como Alto do Santana (GO) e Laranjituba (PA) também se beneficiam do turismo, que valoriza cultura, culinária e território tradicional, gerando renda direta para os moradores.
Aviturismo e ciência cidadã
Outro exemplo é o aviturismo, que mobiliza observadores de aves em todo o país. O Brasil abriga cerca de 1.971 espécies de aves, sendo 293 endêmicas. Guto Carvalho, criador do AvistarBrasil, destaca que o país tem infraestrutura aérea e operadores qualificados, o que favorece o crescimento do setor.
“O birdwatching pode ir além dos safáris africanos, pois ocorre em áreas naturais e urbanas, alcança diversos habitats e mobiliza um hobby global”, afirma. O portal WikiAves já registra mais de 6 milhões de fotos, evidenciando o potencial doméstico.
Desafios e políticas públicas
Para transformar esse potencial em desenvolvimento sustentável, especialistas defendem regras de visitação, monitoramento de fauna, participação comunitária e reinvestimento em infraestrutura. Carvalho sugere políticas públicas que qualifiquem guias, fomentem abrigos de observação e derrubem barreiras como a taxação de binóculos, considerada um entrave ao setor.
Com informações do G1.