
Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, voltou a causar polêmica ao anunciar planos de intensificar sua política de repressão contra imigrantes indocumentados. Nesta segunda-feira (18), Trump afirmou na rede social Truth Social que está preparado para declarar emergência nacional e utilizar forças militares para promover deportações em massa.
A declaração veio em resposta a um post de Tom Fitton, presidente do grupo conservador Judicial Watch, que descreveu o plano como uma tentativa de reverter o que chamou de “invasão promovida por Biden”. Trump, que assume a presidência em janeiro, fez da questão migratória uma prioridade de sua campanha, prometendo implementar a maior operação de deportação doméstica da história americana, com a meta de expulsar 11 milhões de pessoas em situação irregular no país.
Impacto em brasileiros
Entre os grupos afetados pelo endurecimento das políticas migratórias estão 230 mil brasileiros que vivem ilegalmente nos Estados Unidos, de acordo com pesquisa do Pew Research Center publicada em julho. Esse número representa um aumento de 30 mil pessoas em relação ao ano anterior.
Especialistas, no entanto, apontam que brasileiros com status migratório válido, como vistos de trabalho ou estudo, podem se manter fora do alcance das deportações. “O grande desafio é manter o status regularizado”, explica Rodrigo Costa, CEO da Viva América e especialista em imigração.
Consequências econômicas e humanitárias
O plano de Trump, que inclui o uso de tropas militares e a construção de novos campos de detenção, enfrenta críticas devido aos possíveis impactos econômicos e humanitários. Indústrias como agricultura e turismo, que dependem da mão de obra imigrante, podem ser severamente afetadas. Além disso, o custo estimado para deportar milhões de pessoas ultrapassa US$ 88 bilhões anuais, conforme relatório do Conselho Americano de Imigração.
Organizações de direitos humanos também alertam para as condições precárias em centros de detenção já existentes, que abrigaram mais de 20 mil crianças em 2021, segundo uma investigação da BBC.
Promessa de ampliar o muro na fronteira
Outra medida central no programa de governo de Trump é a ampliação do muro na fronteira com o México. Durante seu primeiro mandato, ele construiu 804 km de barreira, mas pretende finalizar toda a extensão de 3,1 mil km utilizando verbas militares.
As propostas de Trump reforçam o tom agressivo que marcou sua campanha e colocam em evidência os desafios do próximo mandato no tratamento da questão migratória.