O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a indicação do economista Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. A nomeação ainda precisa ser aprovada pelo Senado.

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A escolha encerra a incerteza sobre a sucessão de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. Powell tem sido alvo de críticas constantes de Trump, que defende cortes mais rápidos nos juros para estimular a economia.
Warsh, de 55 anos, é pesquisador visitante no Instituto Hoover e professor da Escola de Negócios da Universidade de Stanford. Ele também atua como sócio da gestora Duquesne Family Office, ao lado do investidor Stanley Druckenmiller. Formado em economia por Stanford e em direito por Harvard, construiu carreira no setor financeiro, com passagem pelo Morgan Stanley, antes de ingressar no governo George W. Bush em 2002.
No Fed, Warsh foi o mais jovem integrante do Conselho de Governadores, cargo que ocupou entre 2006 e 2011. Nesse período, representou o banco central em reuniões do G20 e atuou como emissário junto a países da Ásia. Também elaborou um relatório para o Banco da Inglaterra que influenciou mudanças na política monetária britânica.
Trump afirmou conhecer Warsh há muitos anos e disse não ter dúvidas de que ele será “um dos grandes presidentes do Fed”. A indicação ocorre em meio a pressões políticas sobre a condução da política monetária e a autonomia do banco central.
A possibilidade de Warsh assumir o comando do Fed já vinha sendo considerada pelo mercado e provocou reação imediata. Índices acionários na Ásia registraram quedas, enquanto nos Estados Unidos os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq recuaram. O dólar subiu e os rendimentos dos títulos do Tesouro avançaram.
Warsh é visto como defensor de juros mais baixos, mas com postura cautelosa em relação a estímulos econômicos. Sua indicação é estratégica, já que o Fed tem papel central na definição dos rumos da economia americana e global.
Outros nomes chegaram a ser avaliados por Trump, como Rick Rieder, da BlackRock, Christopher Waller, atual dirigente do Fed, e Kevin Hassett, conselheiro econômico da Casa Branca. No entanto, Warsh se consolidou como favorito após reunião com o presidente na quinta-feira (29).
A decisão ocorre em um momento de tensão entre Trump e Powell. O presidente norte-americano acusa o atual chefe do Fed de manter os juros “desnecessariamente altos” e chegou a chamá-lo de “idiota”. Powell, por sua vez, enfrenta uma investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça sobre gastos em reformas na sede do banco central, medida que ele considera uma tentativa de pressão política.
A indicação de Warsh será analisada pelo Comitê Bancário do Senado, responsável por avaliar nomes para o comando do Fed. O processo promete ser acompanhado de perto por investidores e governos estrangeiros, atentos ao impacto das decisões do banco central dos Estados Unidos sobre os mercados globais.
Com informações do G1.