Tragédia aérea em Vinhedo: histórias e rostos por trás dos 62 nomes do voo 2283

Um ano após o maior desastre aéreo no Brasil em quase duas décadas, familiares das vítimas do voo 2283, que caiu em Vinhedo (SP), no dia 9 de agosto de 2024, ainda enfrentam o luto e buscam respostas. A bordo da aeronave da Voepass estavam 58 passageiros e quatro tripulantes — todos morreram.

Foto: Divulgação.

O avião havia partido de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP). Caiu em uma área residencial do bairro Capela, sem deixar vítimas em solo. A tragédia mobilizou o país e revelou histórias marcantes por trás de cada assento do voo. Eram profissionais em viagem de trabalho, peregrinos, estudantes e pais de família. Pessoas com planos em curso, compromissos na agenda e destinos interrompidos.

Os perfis por trás das poltronas

Entre as vítimas, estava Denilda Acordi, 68 anos, que ocupava o assento 16C. Figura discreta e devota da fé católica, era conhecida por seu trabalho voluntário em Bauru (SP). Com problemas de saúde, jamais recusava ajuda a quem precisasse. No dia da viagem, ela se dirigia a Brasília para cuidar da mãe de 94 anos, mas tomou atitudes incomuns que deixaram a família intrigada: devolveu as chaves da igreja, colocou documentos em ordem e se confessou. A sensação de despedida ainda ressoa entre os familiares.

Outra vítima, o professor universitário Deonir Secco, 52 anos, viajava no assento 2D. Pós-doutor e pesquisador da área agrícola, seguia sozinho rumo à Europa, onde realizaria um sonho pessoal: visitar Auschwitz, em memória das injustiças históricas. Descrito como um homem afetuoso e presente, era o tipo de pai que não perdia um momento importante — mesmo que isso significasse apenas assistir a um ensaio escolar. A última conversa com a esposa, antes do voo, ficou marcada por uma premonição inquietante: “só não tenho como me cuidar se o avião cair”, disse.

No assento 10A estava Constantino Thé Maia, de 50 anos. Empresário e pai de dois filhos, ele foi o último passageiro a fazer check-in e só teve a presença confirmada um dia após o acidente. Tido como a base emocional da família, era presença certa em aniversários, almoços e conversas sobre cinema e ufologia. No ano seguinte à tragédia, a festa de aniversário do filho teve tema dos Beatles em sua homenagem — com uma frase que traduzia o espírito de Constantino: “o show tem que continuar”.

Queda em Vinhedo: o que se sabe até agora

A aeronave da Voepass partiu às 11h58 e apresentou comportamento normal até às 13h21, quando iniciou uma descida brusca. Dados do Flightradar mostram que o avião caiu cerca de 4 mil metros em um minuto, atingindo o solo a 440 km/h. O impacto foi no quintal de uma casa em um condomínio. Apesar da destruição, ninguém em terra se feriu.

O relatório preliminar do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), divulgado em setembro de 2024, identificou relatos de falha no sistema de degelo por parte da tripulação. Contudo, os dados da caixa-preta não permitiram confirmar se esse fator foi determinante para a queda. Pilotos da empresa também apontaram jornadas exaustivas, falta de manutenção e pressão operacional.

A resposta da companhia

Em nota enviada à imprensa, a Voepass classificou o acidente como “o episódio mais difícil” de sua história e afirmou seguir prestando apoio psicológico às famílias das vítimas. A empresa defendeu a regularidade da frota e afirmou manter padrões internacionais de segurança. Ainda segundo a companhia, as investigações seguem em andamento e as indenizações estão em estágio avançado.

A Voepass teve seu certificado de operação cassado pela Anac em junho deste ano, após denúncias de irregularidades, incluindo voos realizados com aeronaves sem manutenção adequada.

Memória viva

O g1 Campinas produziu um especial interativo com perfis das 62 vítimas, incluindo minibiografias e mapa das cidades de origem. Na quarta-feira (6), será lançado o webdocumentário “81 segundos”, que reconta os minutos finais do voo 2283.

O legado dessas histórias permanece como alerta, memória e homenagem. Para as famílias, o tempo não apaga a dor, mas fortalece o compromisso de manter viva a lembrança de quem partiu cedo demais.

Com informações do G1.

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