O fenômeno conhecido como “tráfico de saia” revela uma nova configuração do crime organizado na Bahia: mulheres não apenas participam, mas lideram facções, comandam operações armadas e gerenciam redes de lavagem de dinheiro. A reportagem de Bruno Wendel expõe esse protagonismo feminino em organizações como o Bonde do Maluco (BDM), Comando Vermelho (CV) e Bonde do Neguinho (BDN).

Foto: Divulgação.
Mulheres na linha de frente
Algumas figuras se destacam:
- Keila Luiza Silva Souza (“Raposa do BDM”): liderava ataques armados contra o CV em Salvador, vestida com trajes militares. Foi presa após comandar um confronto no bairro de Periperi.
- Kátia Macedo Souza (“A Coroa”): assumiu o comando da facção em Cruz das Almas após a morte do marido, “Nego do Borel”. Atuava em homicídios e lavagem de dinheiro.
- Monique: gerente do tráfico em Salvador, foi presa com drogas, munições e R$ 30 mil enquanto tentava visitar o companheiro, líder do BDM em Feira de Santana.
Inteligência financeira e jurídica
- Andressa Cunha Rocha: advogada que liderava operações financeiras do CV em Feira de Santana. Foi presa na operação Skywalker, acusada de movimentar mais de R$ 1,2 milhão em lavagem de dinheiro.
- Jasiane Silva Teixeira (“Dona Maria”): com histórico de crimes graves, liderava o BDN e mantinha uma rede internacional de tráfico com aeronaves próprias. Presa em janeiro, é considerada uma das maiores traficantes do estado.
Herança e sucessão
- Fabíola Floquet Miranda Caldas: filha da traficante Selma Floquet, foi assassinada em 2022. Era apontada como gerente do BDM no Alto das Pombas.
Reflexão institucional
A desembargadora Nágila Brito, do TJBA, destaca que o protagonismo feminino no crime reflete uma busca por equivalência em todas as esferas — inclusive nas mais sombrias. Ela também alerta para o impacto da criminalidade na maternidade, com filhos se tornando vítimas secundárias da violência.
Com informações do Correio da Bahia.