Beneficiários do programa habitacional federal ‘Minha Casa, Minha Vida’ na Bahia estão enfrentando uma realidade alarmante: a expulsão de suas residências por traficantes de drogas. Em Salvador, há pelo menos oito anos, cinco conjuntos habitacionais sofrem com a atuação do crime organizado. Cidades como Simões Filho, Feira de Santana, Santo Amaro da Purificação e Jequié também registram ocorrências semelhantes. 

Foto: Arisson Marinho/CORREIO.
Os criminosos têm como alvo principalmente moradores que são policiais ou possuem parentes e amigos na polícia. Após forçar a saída desses residentes, os traficantes vendem ou alugam os imóveis, utilizando os recursos para financiar atividades ilícitas, como a compra de armas e drogas. 
Um ex-morador do Conjunto Residencial Fazenda Grande II, em Salvador, relatou que traficantes fortemente armados invadiram seu prédio, ordenando que aqueles com vínculos policiais deixassem o local. Após sua saída, seu apartamento foi alugado a um indivíduo ligado ao tráfico. 
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) reconhece o problema e afirma que operações policiais são realizadas regularmente nessas áreas para combater a atuação de facções criminosas. No entanto, moradores alegam que a presença policial é insuficiente para conter a violência e as ameaças constantes. 
Especialistas em segurança pública apontam que a falta de infraestrutura e a ausência do Estado em algumas regiões contribuem para a expansão do controle territorial por parte do crime organizado. Eles defendem a implementação de políticas públicas integradas que promovam não apenas a segurança, mas também o desenvolvimento social e econômico dessas comunidades. 
Enquanto isso, muitos beneficiários do ‘Minha Casa, Minha Vida’ vivem sob constante medo, vendo o sonho da casa própria se transformar em um pesadelo imposto pela criminalidade. 
Com informações do Correio da Bahia.