Nova política migratória paralisa processos de residência permanente e afeta famílias, trabalhadores e empresas
A decisão dos Estados Unidos de suspender o processamento de vistos de imigração altera diretamente os planos de milhares de pessoas que pretendiam se estabelecer de forma permanente no país. A medida alcança desde famílias que aguardavam a reunião com parentes até profissionais estrangeiros já contratados por empresas norte-americanas.
De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, a suspensão passa a valer a partir de 21 de janeiro de 2026 e afeta, por tempo indeterminado, o processamento de vistos imigratórios aqueles que concedem residência permanente, o chamado green card para cidadãos de 75 países. O Brasil está entre as nações incluídas, conforme confirmação oficial da Embaixada dos Estados Unidos.

A iniciativa integra o endurecimento da política migratória do governo do presidente Donald Trump. Segundo o governo americano, o objetivo é reduzir o risco de que novos imigrantes se tornem dependentes de programas de assistência social financiados pelos contribuintes. O Departamento de Estado afirma que os países atingidos apresentam “taxas inaceitáveis” de utilização de benefícios públicos após a chegada aos EUA, o que motivou a revisão dos critérios de triagem e a paralisação temporária dos processos.
Quem será diretamente afetado
A suspensão impede a análise de pedidos de vistos imigratórios de pessoas nascidas ou com cidadania dos países listados. Entre eles estão Somália, Haiti, Irã, Eritreia, Rússia, Afeganistão, Iraque, Egito, Nigéria, Iêmen e Tailândia, além do Brasil.
Segundo o governo americano, a seleção desses países levou em conta dados sobre o uso de benefícios públicos por imigrantes após a entrada no país.
Reunião familiar fica congelada
Pedidos baseados em laços familiares estão entre os mais impactados. Processos de filhos, cônjuges, pais e irmãos de cidadãos americanos ou de residentes permanentes legais ficam suspensos.
Entram nessa categoria vistos como IR-1, CR-1, F1, F2, F3 e F4, utilizados para obtenção do green card por parentesco. Com a paralisação, a entrada e a regularização desses familiares passam a não ter previsão de conclusão.
Profissionais com oferta de emprego
Trabalhadores estrangeiros que dependem de vistos imigratórios baseados em emprego também serão atingidos. A suspensão alcança categorias como EB-1, EB-2 e EB-3, usadas por profissionais qualificados, especialistas e trabalhadores patrocinados por empresas americanas.
Além do impacto individual, a medida pode gerar dificuldades para empresas nos Estados Unidos, que podem perder ou deixar de contratar talentos estrangeiros desses países enquanto os processos permanecem bloqueados.
Processos já em andamento
A decisão também afeta quem já estava na fila da imigração. Petições aprovadas ou ainda em análise, como I-130 e I-140, terão o andamento interrompido.
Isso inclui candidatos que já passaram por entrevistas consulares, realizaram exames médicos e efetuaram o pagamento de taxas obrigatórias. Todos esses casos ficam suspensos até nova orientação do Departamento de Estado.
Quem não é afetado
A suspensão não se aplica a vistos de curta duração. Autorizações para turismo e negócios, como B1/B2, continuam sendo emitidas normalmente, assim como o ESTA para países elegíveis.
Cidadãos de países que não fazem parte da lista dos 75, como membros da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Canadá, também não são impactados por essa medida específica.
Impactos práticos
Na prática, a suspensão pode resultar em separações familiares prolongadas, perda de oportunidades profissionais, prejuízos financeiros e aumento da insegurança jurídica para quem buscava a imigração legal. Para muitos, o processo entra agora em uma espera sem prazo definido.
A recomendação para os afetados é acompanhar atentamente os comunicados oficiais da Embaixada dos Estados Unidos e as atualizações no site travel.state.gov, já que novas mudanças podem ser anunciadas a qualquer momento.