STF promove evento para marcar três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro

Programação em Brasília relembra invasões às sedes dos Três Poderes e destaca defesa da democracia

O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, no próximo dia 8 de janeiro, em Brasília, um evento em memória dos atos golpistas ocorridos há três anos, quando milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, na capital federal, em uma tentativa de ruptura institucional com pedidos de intervenção militar.

A iniciativa, intitulada “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, contará com uma série de atividades voltadas à preservação da memória democrática e à reflexão sobre os ataques às instituições. A programação inclui abertura de exposição, exibição de documentário, roda de conversa com jornalistas e uma mesa de debates.

Foto:Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

As atividades começam no início da tarde com a inauguração da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, que ficará em cartaz no Espaço do Servidor, no edifício do STF. Em seguida, será exibido o documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução”, no Museu do Supremo.

A programação prossegue com uma roda de conversa entre profissionais da imprensa, também no Museu do STF, e se encerra com a mesa-redonda “Um dia para não esquecer”, no Salão Nobre da Corte.

Tentativa de golpe

Durante a cerimônia que marcou os dois anos dos ataques, realizada em 2025, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que os atos de 8 de janeiro representaram a “face visível” de um movimento mais amplo e articulado para a tentativa de um golpe de Estado.

“Relembrar esta data, com a gravidade que o episódio exige, é também um exercício para virar a página, sem arrancá-la da história”, declarou o ministro à época.

Escalada golpista

Os atos de 8 de janeiro foram precedidos por uma série de ações antidemocráticas iniciadas após a divulgação do resultado das eleições presidenciais de 30 de outubro de 2022, que consagraram Luiz Inácio Lula da Silva como presidente eleito. Desde então, manifestantes passaram a bloquear rodovias e montar acampamentos em frente a quartéis, pedindo intervenção militar.

A escalada incluiu ainda a tentativa de explosão de uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão de uma unidade da Polícia Federal após a queima de ônibus no dia da diplomação de Lula.

Após as investigações, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, atribuindo a ele a liderança de uma conspiração para anular o resultado eleitoral e permanecer no poder após a derrota nas urnas. Segundo a decisão, Bolsonaro teria tentado convencer comandantes das Forças Armadas a aderirem à ruptura institucional.

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