Em uma declaração inédita, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu nesta quinta-feira (9) que as defesas aéreas russas foram responsáveis pela queda de um avião da Embraer no Cazaquistão, em dezembro de 2024. O acidente matou 38 pessoas e envolveu uma aeronave da Azerbaijan Airlines que havia partido de Baku com destino a Grózni, na Chechênia.

Foto: Reuters.
Durante encontro com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, Putin explicou que dois mísseis russos explodiram a cerca de 10 metros da aeronave, provavelmente como medida de autodestruição, e que os danos foram causados pelos destroços. O piloto teria relatado aos controladores russos que o impacto parecia ter sido causado por um bando de pássaros — informação registrada nas caixas-pretas.
Aliyev, que havia criticado a Rússia por tentar encobrir o caso, agradeceu a Putin por acompanhar pessoalmente o andamento da investigação. O líder russo também prometeu indenizações às famílias das vítimas e uma avaliação legal completa do episódio.
O relatório preliminar do governo do Cazaquistão, divulgado em fevereiro, já indicava que a queda foi provocada por “objetos externos”, embora não mencionasse mísseis. Especialistas suspeitavam de estilhaços vindos de sistemas antiaéreos russos, ativados após ataques de drones ucranianos na região.
A análise das caixas-pretas foi realizada no Brasil, pela equipe do Cenipa, ligada à Força Aérea Brasileira. Os dados foram entregues à autoridade cazaque responsável pela investigação, que ainda não divulgou o relatório final.
O caso reacende discussões sobre segurança aérea em zonas de conflito e reforça a importância da transparência nas investigações internacionais.
Com informações do G1.