Um estudo inovador realizado por 15 pesquisadores de quatro universidades brasileiras revelou que a bactéria pseudomonas, comum em ambientes úmidos, possui um potencial impressionante para promover a sustentabilidade. Além de decompor plásticos convencionais, como os utilizados em sacolas e garrafas PET, ela é capaz de transformá-los em bioplásticos biodegradáveis, oferecendo uma alternativa ao plástico derivado de petróleo.

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Coordenado pela Universidade de Sorocaba (Uniso), em parceria com a Unicamp, a UFABC e a UFSC, o estudo mostrou como a pseudomonas utiliza o plástico como fonte de energia, quebrando suas estruturas químicas e gerando novos materiais. Segundo o professor Fábio Squina, líder da pesquisa na Uniso, a bactéria não apenas degrada o material, mas também produz substâncias que podem ser de grande valor para a sociedade.
A comprovação foi feita por meio de tomografias que mostraram a “voracidade” da bactéria: em testes, ela consumiu 10% de uma embalagem plástica em condições controladas, enquanto no meio ambiente esse processo poderia levar séculos. O técnico Denicezar Baldo, responsável pelo laboratório, destacou que a pseudomonas facilita futuras degradações ao deformar a estrutura do plástico.
No cenário global, onde a ONU alerta que metade dos resíduos plásticos vai para aterros sanitários e 22% chega à natureza, avanços como este representam um alívio para a crise ambiental. O relatório também projeta que, sem intervenção, o volume de plásticos no planeta triplicará até 2040.
Após cinco anos de estudo, financiados pela Fapesp, os cientistas estão focados em ampliar a escala do processo. Segundo José Martins de Oliveira Júnior, coordenador do Laboratório de Física e Processamento da Uniso, o desenvolvimento industrial dessa tecnologia será crucial para transformar a maneira como a sociedade lida com o plástico. “O esforço de encontrar microrganismos que convertam plásticos em materiais inertes é essencial para um futuro mais sustentável”, afirmou.
O desafio agora é aumentar a eficiência da bactéria para degradar plásticos mais resistentes, pavimentando o caminho para uma solução em larga escala.
Com informações do G1.