A presidente da Comissão de Reparação e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Salvador, vereadora Marta Rodrigues (PT), apresentou um projeto de lei que prevê a instalação de bebedouros em praças públicas da capital. A iniciativa dialoga com as discussões sobre Emergência Climática e busca ser um contraponto ao cenário atual de Salvador, marcado por ondas de calor cada vez mais intensas e por uma gestão urbana que, segundo a parlamentar, tem priorizado o concreto em detrimento da preservação ambiental, com retirada de árvores, venda de áreas verdes e redução dos espaços de sombra.

Foto: Eduardo Dias.
Marta destacou que Salvador precisa acompanhar exemplos de outras cidades brasileiras que já adotaram medidas semelhantes para mitigar os efeitos do calor extremo. De acordo com o Projeto de Lei nº 241/2025, todas as novas praças e obras de reforma deverão incluir infraestrutura para instalação de bebedouros, obedecendo critérios técnicos de conforto térmico e fluxo de pessoas. “Salvador não tem mais suas fontes e a hidratação da população é essencial. As pessoas precisam ter o acesso gratuito à agua para beber”, diz.
O texto também determina que, enquanto não houver regulamentação específica, os projetos contem com parecer técnico que avalie índices de desconforto térmico e estime o público diário, de modo a recomendar a instalação imediata dos equipamentos quando necessária.
A justificativa do projeto que Belo Horizonte, por exemplo, reforçou bebedouros e pontos de banho para a população em situação de rua após registrar temperaturas recordes; em Curitiba, vereadores propuseram bebedouros até para animais em meio às ondas de calor; e no Rio de Janeiro, tramita projeto semelhante de autoria da vereadora Monica Benício (PSOL).
Para a vereadora, a iniciativa tem caráter de prevenção e resiliência urbana diante das mudanças climáticas. “Salvador se tornou uma cidade cada vez mais quente pela retirada de árvores e concretamento dos espaços. A prefeitura não faz otrabalho de casa, agua para beber é o mínimo. Os bebedouros públicos já não são apenas uma questão de conforto, mas de saúde e sobrevivência”, afirmou.
Redação.