O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), foi afastado do cargo por um período de um ano após ser alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (14). A ação, batizada de Operação Estafeta, investiga um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos nas áreas de obras, saúde e manutenção da prefeitura da cidade, localizada na Grande São Paulo.

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A investigação teve início em julho, quando agentes da PF apreenderam cerca de R$ 14 milhões em espécie — parte em dólares — com Paulo Iran, servidor da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), apontado como operador financeiro do prefeito. O dinheiro foi encontrado por acaso durante outra operação, e a análise do celular do servidor revelou uma relação direta com Marcelo Lima, incluindo o pagamento de despesas pessoais do prefeito e de sua família.
Além do afastamento, a Justiça determinou que Marcelo Lima use tornozeleira eletrônica, fique proibido de sair de casa à noite e nos fins de semana, não tenha contato com os demais investigados e não deixe a cidade sem autorização judicial. A PF chegou a solicitar sua prisão, mas o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Também foram afastados o presidente da Câmara Municipal e primo do prefeito, vereador Danilo Lima Ramos (Podemos), e o suplente de vereador Ary José de Oliveira (PRTB). Dois empresários com contratos com a prefeitura — Edmilson Carvalho, da Terraplanagem Alzira Franco Ltda., e Caio Fabbri, da Quality Medical — foram presos, assim como o servidor Antonio Rene da Silva, diretor de departamento na Secretaria de Coordenação Governamental.
Com o afastamento de Marcelo Lima, quem assume o comando da cidade é a vice-prefeita Jessica Cormick (Avante), sargento da Polícia Militar, que está em seu primeiro mandato eletivo.
A operação mobilizou 20 mandados de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilos bancário e fiscal em São Bernardo do Campo, São Paulo, Santo André, Mauá e Diadema. Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro.
A Prefeitura de São Bernardo informou, em nota, que está colaborando com as investigações e que os serviços públicos não foram afetados pela operação.
Com informações do G1.