Desesperança suicídica e o Brasil sem vacina

Estamos vivendo uma fase de tirar nossas esperanças. A junção da pandemia com um presidente da república propositadamente perdido nos tira da rota, que requer um padrão mínimo de amor, virtudes e coragem. Nos coloca, o povo, a ver só o abismo. E é essa a maior motivação para um suicida tirar a própria vida: a desesperança.

A imprensa tem sua contribuição quando destaca o caos, mas não haveria como ser diferente porque, além de ser seu papel precípuo o de denunciar o mal, o poder velado do establishment agora a influência e concorre para derrubar Jair Messias Bolsonaro. Os stakeholders da administração pública são postos e retirados à conveniência da manutenção do status quo, oculto nas entrelinhas das quedas e ascensões de políticos. 

Não é o desemprego puro e simples que leva alguém ao suicídio, ato tão grave e cruel quanto o do nosso chefe de estado e governo, de expor uma vítima desse mal em transmissão ao vivo por rede social. A Psicologia informa que o sucídio é uma construção, em geral leva tempo, enfrenta etapas, algumas delas até de pedir ajuda. 

Em curto prazo, o suicida não vê saída para o fim de sua dor senão a morte. A ausência de previsão para vacinação contra o Covid-19 reduz a perspectiva do fim da pandemia, assim como distancia o que um provável suicida, e todos nós, poderia vislumbrar como sinal de esperança. O desemprego é reflexo da pandemia, e pandemia se vence com vacina.

Há uns anos, enquanto um deputado estadual criticava um pedido absurdo de um eleitor - absurdo do ponto de vista do que se propõe ser o papel de um político decente -, um jornalista questionou porque o político não simplesmente negara a solicitação, ao invés de tecer comentários ácidos depois. Vivido, o homem respondeu que, muitas vezes, "as pessoas só têm esperança e a esperança não se pode tirar do povo". 

Sabendo não ser seu dever oferecer benefícios individuais a cada um que o elegera, mas que o clientelismo grita na nossa terra, o deputado saiu pela tangente com uma desculpa qualquer para seu eleitor. Mas, mesmo em seu jeito bronco, o político do interior da Bahia mostrava uma certa compreensão da psicologia humana, com alguma benevolência, enquanto, talvez, buscasse soluções mais adequadas dirigidas ao contexto coletivo. 

Essa sabedoria dirigida ao indivíduo, da mínima compreensão, de humanidade, que vai ao certeiro encontro do dever de gestor público, é o que falta em grande escala ao nosso presidente hoje. Presidente este que dirige uma nação como se suas atitudes negligentes, pobres de espírito e de compaixão, além de tecnicamente conturbadas e esquisitas, não tivessem qualquer reflexo ou resultassem em mortes. 

Hoje, são muito mais de 270 mil mortes por Covid-19. A convergência da pandemia com o nosso presidente do Brasil contabiliza cruelmente ainda muitos suicídios e grande parcela dos crimes violentos do último ano. Os pais e mães de família acordarem sem previsão do que fazer e de como ganhar a vida não é mais uma questão de Economia e mercado, é caso de Saúde Pública e, por que não, de Polícia. Sim, vocês têm culpas, Bolsonaros.

Lus Augusto Gomes - Por Escrito

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