Passos gigantes: conheça os carregadores dos famosos Bonecos de Olinda e a tradição do carnaval pernambucano

Os bonecos gigantes de Olinda, conhecidos por suas figuras imponentes e coloridas, são símbolos marcantes do carnaval pernambucano e, por trás de sua grandiosidade, estão os “bonequeiros”, pessoas que dedicam sua força, fé e coragem para dar vida a essas alegorias. Criadas em 1932 com o famoso Homem da Meia-Noite, essas figuras agora fazem parte do cotidiano do carnaval de Olinda, desfilando pelas ladeiras e encantando o público, com os carregadores desempenhando um papel crucial nessa tradição.

Foto: Alice Albuquerque/g1

Os bonequeiros, como são chamados, passam de uma a três horas com os bonecos pesados sobre suas cabeças durante os desfiles e podem carregar entre 25 e 50 quilos, em média. O esforço necessário para manter o equilíbrio, evitar quedas e garantir que os bonecos não atinjam os foliões é imenso. Contudo, para muitos desses trabalhadores, o esforço vale cada segundo, já que essa é uma atividade carregada de história e significado.

Cauã Fábio, de 20 anos, é um dos jovens que leva os bonecos gigantes para as ruas de Olinda. Ele segue uma tradição familiar, inspirada por seu avô, conhecido como “Porquinho”, que foi um dos primeiros manipuladores do boneco “Menino da Tarde”. Cauã, que iniciou sua jornada no mundo dos bonecos aos 10 anos, conta que seu primeiro boneco pesava cerca de 25 a 30 quilos. “Eu fiquei emocionado e não consegui dormir direito antes do desfile. Passei a noite toda olhando para o meu primeiro boneco”, lembra ele com entusiasmo.

A paixão de Cauã pela arte de carregar os bonecos não é única. Bianca de Paula, de 32 anos, também carrega os bonecos gigantes desde os 5 anos, quando seu pai, Mestre Camarão, começou a criar os bonecos mirins para que ela e o filho de Silvio Botelho, Túlio, saíssem no carnaval. Bianca conta que sua trajetória no mundo dos bonecos teve início de forma simples, com a fantasia dos bonecos mirins, mas, com o tempo, ela passou a carregar os bonecos gigantes, algo que, segundo ela, exige muita força e coragem. “A gente carrega com fé, coragem e força. No início, eu e Túlio éramos pequenos, e a criançada dava beliscões para tentar pegar os bonecos. Mas essa é uma tradição que sempre nos encantou”, disse Bianca.

Além de seguir o legado familiar, Bianca se orgulha de ter sua filha, Keyzeuevelin, de 15 anos, entrando para o time dos bonequeiros, carregando os bonecos mirins neste carnaval. Keyzeuevelin, estreante no ofício, confessou que a experiência foi cansativa, mas que já planeja continuar com a tradição nos próximos carnavais. “Estou gostando, mas é muito cansativo. Já avisei à minha mãe que, se houver alguma oportunidade, pode colocar meu nome”, afirmou animada.

O amor pelos bonecos gigantes também é compartilhado por Diogo Martins, um carnavalesco de 23 anos, que começou a manipular os bonecos aos 15 anos. Diogo, que assistia ao desfile do Menino da Tarde desde criança, fala sobre o encanto e o desafio de carregar essas grandes figuras. “Carregar os bonecos exige muito mais do que apenas colocar na cabeça. É preciso equilíbrio, controle e muita atenção para não se machucar e nem bater nos foliões”, afirmou Diogo, ressaltando a dificuldade de carregar até 50 quilos na cabeça, principalmente nas ladeiras de Olinda.

O trabalho dos bonequeiros é um reflexo da tradição, da paixão e da força que caracterizam o carnaval de Olinda. Ao longo das décadas, muitos membros de famílias locais continuaram a se envolver com a confecção e o carregamento dos bonecos, mantendo viva essa prática cultural. Para os bonequeiros, carregar os bonecos não é apenas um trabalho físico, mas também uma forma de se conectar com suas raízes e de perpetuar uma tradição que enche Olinda de alegria e cor a cada carnaval.

Com informações do G1.

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