O Paquistão e o Afeganistão entraram em confronto direto nesta sexta-feira (27), após Islamabad declarar “guerra aberta” contra o país vizinho. O Exército paquistanês bombardeou diversas cidades afegãs, incluindo a capital Cabul, Kandahar e a província de Paktia. Em resposta, o Talibã afirmou ter lançado ataques com drones contra instalações militares em Islamabad e outras regiões do Paquistão.

Foto: Divulgação.
Segundo o porta-voz militar Ahmed Sharif Chaudhry, os bombardeios paquistaneses atingiram 22 alvos militares e resultaram na morte de 274 combatentes e autoridades do Talibã. O governo também confirmou a morte de 12 soldados paquistaneses nos confrontos. O Afeganistão, por sua vez, não reconhece os números divulgados.
A escalada ocorre após meses de tensão na fronteira entre os dois países e põe fim ao frágil cessar-fogo firmado em outubro de 2025. O Paquistão acusa o Talibã de abrigar militantes do grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), responsável por diversos atentados em território paquistanês. Cabul nega e afirma que Islamabad também abriga combatentes do Estado Islâmico.
O governo paquistanês declarou estar pronto para “esmagar” o Talibã e disse que a operação militar está em andamento. Já o regime afegão adotou tom mais contido, afirmando que deseja resolver o conflito por meio do diálogo, embora tenha retaliado os ataques.
A ofensiva marca a primeira vez que o Paquistão mira diretamente instalações do Talibã, rompendo de forma inédita a relação histórica entre os dois países, que já foram aliados próximos.
Diante da gravidade da situação, Irã e China se ofereceram para mediar as tensões. O governo iraniano afirmou estar disposto a “facilitar o diálogo”, enquanto Pequim pediu moderação e defendeu um cessar-fogo imediato para evitar mais derramamento de sangue.
O conflito, que envolve duas nações estratégicas e uma potência nuclear, gera preocupação internacional e pode ter desdobramentos significativos para a estabilidade da região.
Com informações do G1.