Em sua primeira declaração pública desde que assumiu o pontificado, o papa Leão XIV afirmou nesta quinta-feira (18) que pretende manter as principais políticas implementadas por seu antecessor, o falecido papa Francisco. Entre os pontos destacados estão a acolhida a fiéis LGBT, o debate sobre a ordenação de mulheres como diáconas e a continuidade do acordo firmado com a China para a nomeação de bispos.
Primeiro pontífice originário dos Estados Unidos, Leão XIV, de 70 anos, reforçou que não planeja promover grandes mudanças nos ensinamentos da Igreja Católica, sobretudo em questões como casamento homoafetivo ou maior participação feminina no clero.
Na esfera internacional, o papa adotou postura mais cautelosa. Evitou críticas diretas ao ex-presidente americano Donald Trump ou ao governo de Israel, mas manifestou “grande preocupação” com a crise humanitária em Gaza. Segundo ele, cresce o uso do termo “genocídio” em referência ao conflito, embora a Santa Sé não pretenda adotar essa classificação oficialmente no momento. O pontífice lembrou ainda o encontro com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, em maio, quando expressou preocupação com a repressão a migrantes. “Falei sobre dignidade humana”, afirmou.
Sobre os escândalos de abuso sexual na Igreja, Leão XIV reiterou a necessidade de acolher as vítimas com respeito, mas alertou também para os riscos de acusações infundadas. Em relação à administração do Vaticano, reconheceu dificuldades financeiras — o déficit chega a 83 milhões de euros —, embora tenha sinalizado avanços.
