As ações da Polícia Federal realizadas ao longo de 2025 contra o garimpo ilegal no Amazonas resultaram na destruição de mais de 375 estruturas de mineração, incluindo dragas e balsas, e provocaram prejuízos estimados em R$ 1,4 bilhão às organizações criminosas envolvidas. Os dados foram obtidos com exclusividade pelo g1 e revelam que as operações avançaram não apenas sobre a logística da extração clandestina de ouro, mas também sobre a cadeia financeira que sustenta o negócio.

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Além da destruição de equipamentos, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, com bloqueio de mais de R$ 74 milhões em ativos. Segundo a PF, o objetivo foi reduzir de forma estrutural a rentabilidade da atividade criminosa, atingindo diretamente grupos organizados que atuam na exploração, lavagem e comercialização do minério.
As operações também revelaram graves violações de direitos humanos. Trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão, evidenciando que o garimpo ilegal não se limita a crimes ambientais, mas envolve exploração humana, usurpação de bens da União e lavagem de dinheiro.
Principais operações de 2025
- Mineração Obscura 2 (fevereiro): trabalhadores em Maués foram encontrados em condições degradantes e resgatados.
- Kampô (julho): destruição de 16 dragas em três rios de Jutái, reforçando a presença do Estado em áreas remotas.
- Boiúna (setembro): uma das maiores ações do ano, com mais de 270 dragas destruídas em Humaitá e Manicoré.
- Fronteira Dourada (novembro): operação conjunta com a polícia da Colômbia, que resultou na destruição de 14 dragas em região de fronteira.
- Hekurawetaris III (novembro): ofensiva de três dias em rios do Amazonas, com 10 dragas desativadas.
Impactos e desafios
De acordo com o delegado Jonathas Simas, chefe da Delegacia de Meio Ambiente da PF no Amazonas, o garimpo ilegal deixou de ser uma prática isolada e passou a ter características de grandes organizações criminosas, com impactos ambientais, sociais e de direitos humanos.
As operações contaram com apoio de órgãos como Ibama, ICMBio, Funai, Ministério Público do Trabalho e Forças Armadas, reforçando a estratégia de descapitalizar o crime organizado e enfraquecer sua logística.
O avanço das ações mostra que o combate ao garimpo ilegal exige não apenas fiscalização ambiental, mas também enfrentamento às redes financeiras e criminais que sustentam a atividade, além de cooperação internacional em áreas de fronteira.
Com informações do G1.