O Agente Secreto

Por Djanga Baiana (o D é mudo)

Olá! Você gosta de filme? Eu também!

Gosto de assistir em casa, de ler sobre, de falar sobre, mas principalmente, gosto de ir ao cinema.

Fiquei muito apreensiva quando passamos pela pandemia e acreditei, com muita ansiedade, que os cinemas iam se acabar. Mas, para minha agradável surpresa, assim que os portões da humanidade se abriram novamente, lá estava eu, sozinha, sentada na sala de cinema e feliz.

Djanga Baiana não dispensa a oportunidade de fazer uma chamada a cobrar

Tenho uma queda por filme de terror, criminal, zumbis e filmes diferentes, mas assisto a todos, sem exceção (acabei de mentir, não assisto nada coreano) (ok, menti novamente, assisto se tiver zumbis envolvidos) (menti again, gostei de Parasita).

Digresso. Hoje queria falar sobre O Agente Secreto. Sim, aquele pelo qual o Brasil está “botando um ovo” para abocanhar um Oscar. Eu sou vendida, assisto ao Oscar, acompanho os filmes, discuto fervorosamente. “Ah! Mas é comprado!”, “Roubaram Fernanda Montenegro em 1785” etc. etc. Não interessa, todo ano estou lá, fazendo lista de filmes, dizendo quem ganha quem perde e assistindo como final de Copa do Mundo.

“E quem somos nós nessa narrativa? Somos refugiados no nosso próprio país, insurgentes por sermos nós mesmos e coadjuvantes na história que está sendo escrita à nossa revelia.” (Djanga Baiana)

Pois então, O Agente Secreto. Nosso Wagner Moura não vai ganhar. Ele é maravilhoso, um dos nossos melhores atores, tem o borogodó de que a gente gosta, mas eu explico por que ele não leva: ele não é o ator principal.

Em quase 3h de filme, Wagner, com todo seu talento, “apenas” reage às atuações irretocáveis dos coadjuvantes e figurantes (que são os verdadeiros protagonistas). Wagner some, no melhor dos sentidos, em um mar de interpretações arrepiantes, engraçadas, verdadeiras, como se não houvesse uma única câmera a filmar. Todos os personagens parecem estar interpretando a si mesmos e Wagner é  somente a cola que os une.

O Mendonça fez um trabalho extraordinário, daqueles que só quem nasce com o dom consegue fazer, e nos mostra, sem explicações intrincadas, que o inimigo de todo Poder é quem se insurge e que o antídoto a isso é distrair a sociedade com pão e circo.

No filme, as manchetes dos jornais da época mostram, com sensacionalismo, apenas o que está na superfície. São tomadas pelo blockbuster Tubarão, pelo carnaval, absurdos mil e lendas urbanas.  É o quarto Poder, junto aos outros três, estrategicamente nos fazendo olhar para o palco principal em vez do que está acontecendo nos bastidores, e, assim, nos esquecemos das histórias de quem vive e quem morre nas coxias, tentando fazer alguma coisa decente e que preste.

A verdadeira história nos conta esplendidamente sobre o recorde de número de mortos no carnaval, sobre defunto aguardando há dias ser recolhido enquanto um frentista espanta os “caramelos” que se aproximam do morto, sobre uma perna cabeluda que aparece dentro de um tubarão, sobre o delegado que tem pinta de prefeito e o obedecem quem tem juízo, e o que fica de fundo nessa riqueza de trama é o agente secreto, que nada fez, a não ser não abaixar a cabeça para quem estava acostumado a ter esse efeito sobre as pessoas.

E quem somos nós nessa narrativa? Somos refugiados no nosso próprio país, insurgentes por sermos nós mesmos e coadjuvantes na história que está sendo escrita à nossa revelia, pois estamos distraídos pelo namorado atual da Virgínia e aguardando a nova Gravida Taubaté.  Simples assim, complicado assim.

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