A mais recente atualização da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), divulgada nesta sexta-feira (10) durante o Congresso Mundial de Conservação em Abu Dhabi, revela dados preocupantes sobre o estado da biodiversidade global. Três espécies de focas do Ártico foram reclassificadas para categorias de maior risco de extinção, enquanto mais da metade das aves do planeta apresenta queda populacional.

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Focas do Ártico sob ameaça crescente
A foca-de-capuz passou de “vulnerável” para “em perigo”, enquanto a foca-barbuda e a foca-da-Gronelândia foram reclassificadas de “pouco preocupante” para “quase ameaçada”. A principal causa é a perda acelerada de gelo marinho, essencial para reprodução, descanso e alimentação desses animais.
“A situação das focas do Ártico é um lembrete contundente de que a mudança do clima já tem impactos concretos aqui e agora”, afirmou a Dra. Kit Kovacs, especialista da IUCN.
O aquecimento no Ártico ocorre quatro vezes mais rápido do que em outras regiões, afetando não apenas focas, mas também morsas e outros mamíferos marinhos. A IUCN recomenda medidas como proteção de habitats-chave, redução da captura incidental e controle de impactos sonoros.
Aves em retração global
A oitava avaliação global de aves, conduzida pela BirdLife International, mostra que 61% das 11.185 espécies apresentam declínio populacional — um salto em relação aos 44% registrados em 2016. A degradação de habitats, especialmente por expansão agrícola e extração de madeira, é apontada como principal causa.
Regiões como Madagascar, África Ocidental e América Central registram aumento no número de espécies ameaçadas. O uirapuru-do-norte, por exemplo, passou à categoria “quase ameaçado”.
“Três em cada cinco espécies de aves estão em declínio. Isso mostra a gravidade da crise da biodiversidade e a urgência de ações concretas por parte dos governos”, alertou o Dr. Ian Burfield, da BirdLife International.
Tartaruga-verde: um caso de recuperação
Em meio aos alertas, a tartaruga-verde (Chelonia mydas) apresentou melhora significativa, passando de “em perigo” para “pouco preocupante”. Desde a década de 1970, a população global cresceu cerca de 28%, graças à proteção de ninhos, redução do comércio e uso de dispositivos de exclusão em redes de pesca. Iniciativas bem-sucedidas foram registradas no Brasil, México e Havaí.
Apesar do avanço, a espécie ainda enfrenta ameaças como captura incidental, coleta de ovos e impactos das mudanças climáticas sobre praias de desova.
Extinções confirmadas
Seis espécies foram oficialmente classificadas como extintas, incluindo o musaranho da Ilha Christmas, o caramujo-cone Conus lugubris, o maçarico-de-bico-fino e a árvore Diospyros angulata. Três marsupiais australianos e uma planta havaiana também entraram na lista já como extintos.
A nova edição da Lista Vermelha avaliou 172.620 espécies, das quais 48.646 estão ameaçadas de extinção. Os dados reforçam a urgência de ações globais para frear a perda de biodiversidade e proteger os ecossistemas.
Com informações do G1.