A operação apura corrupção e tráfico de drogas com envolvimento de agentes da Polícia Civil; delegado alvo é o mais alto nível hierárquico da corporação.

Foto: Montagem/Reprodução/Redes Sociais.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Corregedoria da Polícia Civil realizaram buscas nesta terça-feira (4) contra o delegado classe especial, Alberto Pereira Matheus Junior, em um desdobramento da investigação que apura esquemas de corrupção mencionados pelo delator Vinícius Gritzbach, ex-integrante do PCC. A operação, que também envolve investigações sobre tráfico de drogas, resultou em buscas por telefones celulares usados por outros dois policiais presos anteriormente. Eles foram acusados de corrupção e delatados por Gritzbach.
Gritzbach, que foi executado em novembro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, revelou esquemas de corrupção em sua delação. A operação de hoje tem como foco a análise de conversas entre o delegado Alberto e Eduardo Lopes Monteiro, um dos policiais presos, nas quais o delegado é acusado de pedir e receber dinheiro, via pix, de Monteiro, como parte de um esquema de corrupção.
Detalhes da investigação e da operação
O delegado Alberto Pereira Matheus Junior, que ocupou postos importantes no Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e no Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes), está sendo investigado por supostamente receber “pedágios” pagos por outros policiais envolvidos em corrupção. De acordo com os investigadores, o dinheiro arrecadado por meio de atos corruptos seria direcionado a Alberto.
A operação de busca e apreensão também visou o presídio da Polícia Civil em São Paulo, onde eram procurados celulares de dois outros policiais citados por Gritzbach em sua delação premiada, Valdenir Paulo de Almeida, o Xixo, e Valmir Pinheiro, conhecido como Bolsonaro. Esses policiais estavam detidos em uma operação contra tráfico de drogas da Polícia Federal (PF) e foram citados por corrupção.
A defesa e próximos passos
A defesa de Alberto Pereira Matheus Junior ainda não se manifestou, e a equipe de reportagem apurou que ele pode ser afastado de suas funções enquanto as investigações seguem. A operação faz parte de um esforço maior para desvendar o envolvimento de agentes da Polícia Civil em esquemas criminosos, que incluem extorsão e tráfico de drogas.