O caso do paulista Ailton Santana, 53 anos, expõe um problema recorrente: dores persistentes nas costas que, por meses, foram tratadas como questão ortopédica, mas que na verdade escondiam um diagnóstico de mieloma múltiplo. Esse tipo de câncer hematológico é considerado incurável, apresenta recaídas frequentes e piora dos resultados clínicos a cada nova linha de tratamento.

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O que é o mieloma múltiplo
- Representa cerca de 10% dos cânceres hematológicos.
- Estima-se que 7,6 mil novos casos sejam identificados por ano no Brasil.
- É caracterizado pela proliferação de plasmócitos malignos na medula óssea, comprometendo a produção normal de células sanguíneas.
- Entre 70% e 90% dos pacientes desenvolvem doença óssea, com destruição dos ossos e dores intensas, especialmente na coluna, quadris e costelas.
Sintomas mais comuns
- Dor óssea persistente (frequentemente confundida com problemas de coluna).
- Fadiga e anemia (presente em cerca de 60% dos pacientes).
- Perda de peso e febre.
- Infecções renais e aumento do cálcio no sangue.
- Sensação de saciedade e aumento do baço.
Diagnóstico tardio no Brasil
Segundo especialistas, 96% dos pacientes brasileiros recebem o diagnóstico em estágio avançado, contra apenas 36% nos Estados Unidos. A dificuldade está ligada à falta de preparo médico e à ausência de exames básicos na rede pública, como a eletroforese de proteínas, que pode indicar a doença precocemente.
Tratamento e avanços
No passado, o tratamento era apenas paliativo, com sobrevida média de 2 a 3 anos. Hoje, há terapias contínuas que prolongam a resposta dos pacientes. Ainda não se fala em cura definitiva, mas sim em “cura funcional”, quando o paciente permanece sem recaídas por 10 a 15 anos.
Um novo medicamento, o Blenrep (belantamabe mafodotina), foi aprovado pela Anvisa e deve começar a ser comercializado em janeiro de 2026. Ele será indicado para pacientes com mieloma múltiplo recaído ou refratário, que já passaram por pelo menos uma linha de tratamento. O Brasil participou ativamente dos testes clínicos, com pacientes atendidos em centros de pesquisa e hospitais como o São Rafael e o Hupes, em Salvador.
Impacto social
A doença é mais frequente em homens e pessoas negras, e embora rara, tem impacto significativo: só na Bahia, foram 1.169 mortes entre 2020 e 2024. A falta de diagnóstico precoce ainda é um dos maiores desafios, levando muitos pacientes a conviver por meses ou anos com dores confundidas com problemas comuns de coluna.
Esse cenário reforça a importância da investigação médica detalhada diante de dores persistentes e da ampliação do acesso a exames e tratamentos modernos, especialmente no SUS, onde a maioria dos pacientes depende de políticas de inclusão em pesquisas clínicas para ter acesso às novas drogas.
Com informações do Correio da Bahia.