A Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa) resgatou, entre janeiro e agosto de 2025, mais de 2,7 mil aves silvestres em operações realizadas na Bahia. Somente nos últimos dois meses, 1.106 animais foram apreendidos durante 17 ações de fiscalização em Salvador e na Região Metropolitana.
Entre as espécies mais visadas pelos criminosos estão papa-capim, canário-da-terra e cardeal. De acordo com a comandante da Coppa, major Érica Patrícia, a alta procura está ligada ao canto característico e à beleza dessas aves, o que incentiva tanto o comércio quanto a criação ilegal. “Esses animais são explorados principalmente em torneios de canto, onde os vencedores rendem prêmios em dinheiro, valorizando ainda mais o comércio clandestino”, explica.

A venda ilegal de aves silvestres é considerada crime ambiental contra a fauna, previsto no artigo 29 da Lei Federal nº 9.605/98, com pena de detenção de seis meses a um ano e multa. Se a infração envolver espécies raras ou ameaçadas de extinção, a pena pode ser aumentada. Além disso, os infratores podem responder também por maus-tratos, conforme prevê o artigo 32 da mesma lei.
No âmbito administrativo, as multas variam de R$ 500 por espécie não ameaçada até R$ 5 mil por cada ave em risco de extinção. “Se for comprovada a intenção de obter vantagem financeira, o valor da multa é dobrado”, reforça a major.
As ocorrências são mais frequentes em feiras livres e mercados populares do interior e da Região Metropolitana, mas também há registros em grandes centros urbanos, onde o comércio clandestino de aves continua sendo um desafio para as autoridades.