Nicolás Maduro assumiu, nesta sexta-feira (10), o terceiro mandato como presidente da Venezuela, em cerimônia realizada na sede da Assembleia Nacional em Caracas. O evento, presidido pelo deputado chavista Jorge Rodríguez, marcou o fim de um processo eleitoral amplamente contestado, acusado de falta de transparência e repressão contra a oposição.

Foto: REUTERS/Maxwell Briceno.
Maduro afirmou em discurso que “ninguém impõe um presidente à Venezuela”, enquanto seu opositor, Edmundo González Urrutia, autoproclamado presidente eleito, permanece exilado na Espanha. Apesar das reivindicações de fraude, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo governo, declarou a vitória de Maduro com pouco mais de 50% dos votos. A oposição alega que González venceu com quase 70%, baseando-se nas atas eleitorais que coletou independentemente.
Eleições sob suspeita e repressão violenta
O processo eleitoral de 28 de julho de 2024 foi marcado por restrições à oposição. Candidatos como María Corina Machado foram impedidos de concorrer, e observadores internacionais tiveram suas autorizações revogadas semanas antes da votação. Após a divulgação dos resultados oficiais, protestos violentos tomaram as ruas. A repressão resultou em pelo menos 28 mortos e mais de 2.400 presos até dezembro.
González foi forçado ao exílio após um mandado de prisão emitido pelo governo, mas continua sendo reconhecido como presidente eleito por diversos países, incluindo Estados Unidos, Espanha e Argentina.
Isolamento internacional e crise diplomática
A posse de Maduro contou com a presença de poucos líderes estrangeiros, refletindo o isolamento crescente do regime. Países como Brasil, que participou de negociações eleitorais em 2023, mantêm uma postura cautelosa, aguardando a divulgação das atas eleitorais. Enquanto isso, sanções econômicas foram restabelecidas pelos Estados Unidos.
Com aliados estratégicos como Rússia e China enviando apenas representantes diplomáticos, o evento reforçou a crise de legitimidade que Maduro enfrenta em meio à pressão global por transparência e respeito à democracia.
Com informações do G1.