O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu nesta quarta-feira (13) às críticas contidas no relatório anual do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que aponta uma deterioração da situação dos direitos humanos no Brasil. Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que “ninguém está desrespeitando direitos humanos” no país e acusou os EUA de tentarem criar uma imagem negativa de nações com as quais desejam entrar em conflito.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
“Os nossos amigos americanos, toda vez que resolvem brigar com alguém, tentam criar uma imagem de demônio contra as pessoas com quem querem brigar”, declarou o presidente.
O que diz o relatório americano
O documento, entregue ao Congresso dos EUA na terça-feira (12), afirma que tribunais brasileiros tomaram medidas “amplas e desproporcionais” que minaram a liberdade de expressão e o acesso à informação. Entre os pontos destacados estão:
- A suspensão de mais de cem perfis na rede social X (antigo Twitter), por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
- A supressão de discursos considerados politicamente desfavoráveis, especialmente de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
- A crítica à prisão de bolsonaristas acusados de envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
- A comparação feita por Lula entre a ofensiva de Israel em Gaza e o Holocausto, considerada antissemitismo pelo relatório.
O relatório é parte de uma avaliação anual sobre práticas de direitos humanos em 196 países membros da ONU e serve como referência para tribunais internacionais e políticas externas dos EUA.
Resposta institucional brasileira
Além de Lula, o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, também se manifestou, afirmando que punir golpistas é uma forma de respeitar os direitos humanos e a democracia. Messias destacou que o Brasil colabora com cortes internacionais e que as ações do Judiciário não devem ser confundidas com decisões do Executivo.
Tensões diplomáticas em alta
A divulgação do relatório ocorre em meio a uma escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos, agravada pelo tarifaço imposto por Donald Trump a produtos brasileiros. Lula anunciou medidas de apoio às empresas afetadas e reforçou que o Brasil buscará negociações, sem retaliar comercialmente os EUA.
“Nós não queremos conflito. Não quero conflito nem com Uruguai, nem com a Venezuela, quanto mais com os EUA. Mas nossa soberania é intocável”, afirmou Lula.
A resposta brasileira indica que, apesar das críticas, o governo pretende manter canais diplomáticos abertos, mas exige respeito à autonomia nacional e às instituições democráticas.
Com informações do G1.