A francesa Gisèle Pelicot decidiu contar publicamente sua história de violência sexual após dez anos de abusos cometidos pelo próprio marido, Dominique Pelicot. Durante esse período, ela era dopada com sedativos misturados à comida e estuprada por desconhecidos recrutados pelo companheiro, que filmava os crimes.

Foto: Divulgação.
Em dezembro de 2024, Dominique foi condenado a 20 anos de prisão, a pena máxima para estupro na França. A investigação revelou que cerca de 80 homens participaram dos abusos, dos quais 50 foram julgados e condenados pelo Tribunal de Avignon. Muitos eram vizinhos e conhecidos da família, o que ampliou o choque da descoberta.
Gisèle soube da violência em 2020, quando foi chamada à delegacia e confrontada com imagens que mostravam os ataques. O impacto foi devastador, sobretudo ao comunicar a verdade aos três filhos. “Como você diz para seus filhos: seu pai me estuprou e me fez ser estuprada por 10 anos?”, relatou.
Durante os anos em que era dopada, ela sofria apagões de memória e chegou a se envolver em acidentes, sem compreender a origem dos sintomas. Dominique acompanhava suas consultas médicas e minimizava os sinais, impedindo que a situação fosse descoberta mais cedo.
No tribunal, Gisèle abriu mão do anonimato e enfrentou acusações de suposta cumplicidade por parte das defesas dos réus. Ela afirma que a punição às vítimas é dupla: o sofrimento vivido e a vergonha imposta pela sociedade.
Hoje, Gisèle usa sua voz para pedir mudanças na educação e no comportamento masculino, defendendo que os homens assumam responsabilidade e que a dominação sobre as mulheres não seja tolerada. Apesar do trauma, ela mantém o sobrenome Pelicot para proteger os netos da estigmatização e planeja visitar o ex-marido na prisão em busca de respostas.
“Sou uma mulher livre novamente, que ama novamente, que confia novamente. E estou de pé, sempre de pé”, declarou em entrevista ao Fantástico, reforçando sua determinação em transformar dor em resistência.
Com informações do G1.