Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (25), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rebateu críticas sobre a condução da liquidação do Banco Master e sobre a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado. Ele afirmou que a instituição seguiu rigorosamente os procedimentos legais e que não cabe ao BC julgar a conveniência de operações financeiras, mas sim garantir sua higidez e conformidade com as normas.

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Galípolo também criticou o que chamou de “especialistas de WhatsApp”, em referência a análises e comentários disseminados nas redes sociais. Segundo ele, muitas vezes a desinformação circula com narrativas mais atraentes do que a verdade, o que gera pressão indevida sobre o trabalho técnico da autoridade monetária. “Hoje temos especialistas de WhatsApp que criam grupos e dão opinião sobre tudo. É um dilema para o BC: interromper o trabalho a cada momento para responder?”, disse.
Sobre o Banco Master, liquidado na semana passada, Galípolo explicou que a instituição já operava sob risco de falência devido ao alto custo de captação e à exposição a investimentos considerados arriscados. Ele ressaltou que o BC atuou desde o primeiro momento, em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público, e que qualquer desvio do procedimento legal poderia gerar prejuízos ao erário.
Em relação à taxa Selic, atualmente em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas —, Galípolo defendeu a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) como necessária para conter pressões inflacionárias. Ele lembrou que a meta central de inflação é de 3% e que o BC tem obrigação legal de perseguir esse objetivo. “A determinação legal é uma meta de 3%, o instrumento é a taxa de juros, e o BC tem de usar a taxa de juros para perseguir a meta de inflação”, afirmou.
As decisões do BC vêm sendo alvo de críticas de autoridades do governo federal, que apontam os juros elevados como entrave ao crescimento econômico e ao emprego. Por outro lado, ex-integrantes da instituição, como Roberto Campos Neto, têm defendido a postura da autoridade monetária.
O episódio reforça o embate entre pressões políticas e a autonomia técnica do Banco Central, em um momento de grande sensibilidade para o sistema financeiro e para a economia brasileira.
Com informações do G1.