O vencimento do tratado nuclear New START nesta quinta-feira (5) marcou o fim de uma era de restrições às armas atômicas entre Estados Unidos e Rússia, as duas maiores potências nucleares do planeta. O acordo, assinado em 2010 por Barack Obama e Dmitri Medvedev, estabelecia limites para ogivas estratégicas e mísseis de longo alcance, além de prever inspeções mútuas. Com sua expiração, o cenário internacional passa a enfrentar o risco de uma nova corrida armamentista.

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Reações internacionais
- Rússia: O Kremlin lamentou o fim do tratado, mas o ex-presidente e atual vice do Conselho de Segurança, Dmitri Medvedev, fez declarações provocativas, afirmando que “o inverno está chegando”. O governo russo disse estar preparado para um “novo mundo” sem limites para armas nucleares.
- Estados Unidos: Até o momento não houve comunicado oficial da Casa Branca, mas fontes revelaram que há negociações nos bastidores para uma possível extensão do acordo, possivelmente incluindo a China. O secretário de Estado, Marco Rubio, defendeu que qualquer novo tratado envolva também Pequim, devido ao crescimento acelerado de seu arsenal.
- China: O governo chinês lamentou o fim do New START e pediu que Washington retome o diálogo com Moscou. O porta-voz Lin Jian destacou preocupação com os impactos negativos na ordem nuclear global.
- União Europeia: A UE apelou para que todas as partes exerçam moderação diante do novo cenário.
- ONU: O secretário-geral Antonio Guterres classificou o momento como “grave” para a paz e a segurança internacional, ressaltando que pela primeira vez em mais de meio século não há limites vinculantes para os arsenais estratégicos das duas potências.
- Papa Leão XIV: O pontífice pediu que EUA e Rússia renovem o acordo, afirmando que é urgente evitar uma nova corrida armamentista.
Importância do tratado
O New START limitava cada país a 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 mísseis e bombardeiros de longo alcance. Também previa até 18 inspeções anuais em locais estratégicos, mecanismo suspenso em 2020 devido à pandemia. A última extensão ocorreu em 2021, durante o governo Joe Biden, mas não houve novo acordo antes do prazo final.
Cenário atual
Com o fim do tratado, especialistas alertam para a possibilidade de expansão dos arsenais e aumento da instabilidade global. A ausência de mecanismos de verificação e limites formais abre espaço para desconfiança mútua e aceleração da corrida nuclear.
Esse episódio coloca em evidência o desafio da diplomacia internacional em conter a proliferação de armas de destruição em massa.
Com informações do G1.