A Faixa de Gaza, um território palestino de 362 km² (equivalente a um quarto da cidade de São Paulo), é lar de 2,3 milhões de pessoas e tem uma das densidades populacionais mais altas do mundo. Com 41 km de comprimento e até 10 km de largura, o enclave é limitado pelo Mar Mediterrâneo e faz fronteira com Israel ao norte e com o Egito ao sul. A região, que já enfrentava graves problemas socioeconômicos antes do atual conflito entre Israel e Hamas, viu sua situação se agravar ainda mais após 15 meses de guerra.

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Antes da guerra, mais de 80% da população de Gaza vivia na pobreza, e o desemprego atingia 45% da população em geral, chegando a 73,9% entre jovens de 19 a 29 anos com ensino médio ou superior. A infraestrutura já era precária, com cortes de energia diários e acesso limitado à água potável. A insegurança alimentar afetava 33% dos habitantes, e as restrições israelenses à pesca e à agricultura dificultavam a subsistência local.
A guerra, que começou em outubro de 2023 após uma invasão do Hamas a Israel, exacerbou a crise humanitária. Grande parte de Gaza foi destruída, com 69% das estruturas danificadas ou completamente arrasadas. Hospitais, já sobrecarregados e com falta de suprimentos, foram alvos de bombardeios, agravando a assistência médica. A ONU estima que a reconstrução do território pode levar até 21 anos e custar US$ 1,2 bilhão.
A história de Gaza é marcada por conflitos milenares. O território já foi disputado por diversos impérios e, no século XX, tornou-se palco do conflito entre Israel e Palestina. Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou Gaza até 2005, quando retirou suas tropas e colonos, cedendo o controle à Autoridade Palestina. Em 2007, o Hamas assumiu o poder, expulsando as forças leais à Autoridade Palestina e intensificando os confrontos com Israel.
A proposta recente do presidente dos EUA, Donald Trump, de assumir o controle de Gaza e reassentar os palestinos em outras regiões gerou forte reação internacional. Trump sugeriu transformar o território em um “empreendimento espetacular”, comparável a uma “Riviera do Oriente Médio”, sem a necessidade de tropas americanas. No entanto, a ideia foi amplamente criticada, inclusive pelo Hamas, que rejeitou qualquer deslocamento forçado da população.
Apesar das condições precárias e da destruição, muitos palestinos resistem à ideia de deixar Gaza, temendo uma repetição da “Nakba” (catástrofe em árabe), evento ocorrido em 1948, quando 700 mil palestinos foram deslocados durante a criação do Estado de Israel. Recentemente, milhares de deslocados retornaram ao norte de Gaza após um cessar-fogo, demonstrando o apego à terra e a resistência em abandonar suas raízes.
Enquanto o futuro de Gaza permanece incerto, a comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos do conflito e as propostas controversas envolvendo o território. A reconstrução e a estabilidade da região dependem não apenas de acordos políticos, mas também do respeito aos direitos e à vontade da população local.
Com informações do G1.