Facções dividem pontos turísticos da Barra e acentuam clima de insegurança em Salvador

A presença de facções criminosas em áreas nobres e turísticas de Salvador tem se tornado cada vez mais evidente, especialmente no bairro da Barra, um dos principais cartões-postais da capital baiana. A disputa territorial entre o Comando Vermelho (CV) e o Bonde do Maluco (BDM) se intensificou, com cada grupo exercendo domínio sobre pontos estratégicos e de grande circulação de moradores e visitantes.

Foto: Arisson Marinho/CORREIO.

Recentemente, pichações com a sigla do Terceiro Comando Puro (TCP), segunda maior facção carioca, foram flagradas nas balaustradas do calçadão próximo ao Farol da Barra. A marcação territorial reforça a atuação do grupo na região, que tem se aliado ao BDM em diversas localidades da Bahia, como Santo Amaro da Purificação, Jacobina, Mussurunga e Vila Verde. A aliança entre TCP e BDM tem como objetivo enfrentar o domínio do CV, que controla outras áreas da cidade.

Na Barra, essa divisão é visível. O Cristo Nosso Senhor, conhecido como “Cristo da Barra”, está localizado em frente à comunidade da Roça da Sabina, sob controle do BDM. Já o Porto da Barra, famoso por sua praia que já foi eleita uma das melhores do mundo pelo jornal britânico The Guardian, é dominado pelo Comando Vermelho. Um ambulante ouvido pelo jornal Correio relatou que “por aqui não fica ninguém de ‘três letras’. Se aparecer, é morte na certa. Aqui é ‘tudo dois’”, em referência à facção carioca.

Especialistas apontam que a chegada e consolidação dessas facções em áreas turísticas estão diretamente ligadas à busca por novos mercados consumidores, especialmente em regiões com forte apelo cultural e turístico. Segundo o professor Horácio Hastenreiter, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Salvador possui um turismo vinculado a festas populares, carnaval e manifestações religiosas, o que também implica em alto consumo de drogas — fator que atrai o interesse das organizações criminosas.

A professora Márcia Margarida Martins, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), reforça que a presença dessas facções afeta diretamente a percepção de segurança na cidade. “Podemos afirmar com categórica certeza que a presença de facções como o CV e o BDM em áreas turísticas de Salvador afeta concretamente toda a percepção de insegurança. Isso afasta turistas, especialmente estrangeiros, que costumam pesquisar índices de segurança antes de viajar”, afirmou.

A escalada da violência na Barra não é recente. Em julho de 2023, um homem foi encontrado morto dentro de uma caixa de isopor no Porto da Barra. Em dezembro do mesmo ano, uma mulher foi assassinada em frente ao Farol. Em janeiro de 2024, um homem foi baleado após trocar tiros com a polícia na Avenida Centenário. Em março, um tiroteio assustou banhistas no Porto da Barra em pleno domingo.

Diante desse cenário, moradores expressam sentimentos de impotência e abandono. “A sensação é de que perdemos essa guerra para eles”, declarou o funcionário público João Paulo Feitosa, morador da Barra.

A crescente presença de facções em áreas turísticas de Salvador levanta preocupações sobre o impacto direto na economia local, especialmente no setor de turismo, e evidencia a urgência de ações integradas de segurança pública e políticas sociais que enfrentem o problema de forma estrutural.

Com informações do Correio da Bahia.

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