Às vésperas da entrada em vigor de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diplomatas brasileiros defendem que qualquer contato direto entre os chefes de Estado seja precedido por uma preparação cuidadosa. O temor é que, sem um roteiro previamente acordado entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, o telefonema possa repetir episódios constrangedores como os ocorridos com os presidentes da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

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Segundo integrantes do Itamaraty ouvidos pela imprensa, telefonemas entre presidentes não devem ser improvisados, especialmente em momentos de crise comercial. A recomendação é que emissários dos dois governos alinhem previamente os termos da conversa, evitando surpresas diplomáticas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou essa posição ao afirmar que a preparação é uma questão de respeito mútuo entre os povos e que há sinais de abertura por parte dos Estados Unidos para negociar.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Nova York e indicou disposição para ir a Washington, caso seja recebido por representantes do governo norte-americano. A iniciativa é vista como mais uma tentativa de evitar o agravamento da crise comercial. No Planalto, auxiliares de Lula avaliam que Trump tem se mostrado imprevisível em encontros com líderes estrangeiros, o que reforça a necessidade de cautela.
Apesar da tensão, o governo brasileiro mantém a postura de negociar as tarifas com base no diálogo, mas rejeita qualquer tentativa de incluir temas relacionados à soberania nacional. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) reiterou que o Brasil está aberto ao debate comercial, mas não aceitará interferências em questões internas, como os processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com informações do G1.