Denúncia de amante leva polícia a desvendar estupro contra menina de 3 anos em Ribeirão Preto

A Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) prendeu nesta semana Leiliane Vitória Oliva Coelho, de 22 anos, e o padrasto da criança, Andrey Gabriel Eduardo Bento Zancarli, de 23, acusados de abusar sexualmente da filha de Leiliane, uma menina de apenas três anos. O caso veio à tona após denúncia feita pelo amante da mãe, que entregou à polícia vídeos e conversas encontrados no celular da jovem.

Foto: Arquivo.

Como a denúncia surgiu

O homem relatou que mantinha relacionamento com Leiliane há cerca de seis meses e convivia com os dois filhos dela — a menina de três anos e um bebê de quatro meses. Segundo ele, a criança apresentava comportamento retraído, acordava assustada e pedia para “parar”, o que levantou suspeitas.

Na última terça-feira (9), ao acessar o celular da mãe, o amante encontrou vídeos e mensagens que mostravam a menina sendo molestada. O material também fazia referência ao uso de substâncias para dopar a criança. Ele realizou capturas de tela e entregou tudo à polícia, que prendeu o casal na quarta-feira (10).

Prisão e investigação

Andrey foi detido em casa, onde estava com as crianças, enquanto Leiliane foi presa no trabalho. Ambos tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. O padrasto foi transferido para a Cadeia de Santa Rosa de Viterbo e a mãe aguarda transferência para uma penitenciária da região. O Conselho Tutelar deixou os filhos sob cuidados de familiares.

O que dizem os suspeitos

Em depoimento, o casal negou ter cometido estupro, mas admitiu que gravava os vídeos encontrados nos celulares. Segundo a delegada Michela Ragazzi, da Delegacia de Defesa da Mulher, as filmagens tinham como objetivo satisfazer fantasias sexuais dos dois.

Na saída da delegacia, Andrey declarou:

“A gente não estuprou uma criança, acabou nem tocando nela. Sei que foi um erro gigantesco, mas não fizemos nada sexual com ela.”

Leiliane também se disse arrependida:

“Eu amo a minha filha, não sei o que deu em mim. Um vídeo estragou tudo. Eu mereço tudo o que vier.”

Enquadramento legal

O casal deve responder por estupro de vulnerável — crime previsto no artigo 217-A do Código Penal, que não exige conjunção carnal para ser configurado — além de divulgação de cenas de sexo e exploração sexual infantil.

Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que amplia a pena para estupro de vulnerável, podendo chegar a 40 anos de prisão.

O caso chocou Ribeirão Preto e reforça a importância da denúncia de terceiros para a proteção de crianças em situação de vulnerabilidade. A investigação segue com análise das imagens e mensagens apreendidas.

Com informações do G1.

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