A defesa de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar a soltura do banqueiro, preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras bilionárias. Na semana passada, a Justiça Federal havia negado um pedido liminar para sua liberdade.

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Os advogados alegam que não há fatos concretos que justifiquem a prisão preventiva e sustentam que Vorcaro não representa risco às investigações. Segundo a defesa, o Banco Central já decretou a liquidação extrajudicial do Master, o que elimina qualquer possibilidade de ingerência do empresário na instituição.
Em petição ao STJ, os advogados afirmaram que Vorcaro mantém postura colaborativa e não há indícios de obstrução da Justiça. Também destacaram que a viagem internacional que motivou sua prisão no Aeroporto de Guarulhos seria apenas um compromisso profissional previamente agendado em Dubai, sem intenção de fuga.
Decisão anterior da Justiça
A desembargadora Solange Salgado da Silva, do TRF-1, rejeitou o pedido de liberdade provisória na semana passada. Para ela, os indícios de gestão fraudulenta e organização criminosa são veementes e apontam comportamento reiterado dos acusados em atrapalhar as investigações.
No despacho, a magistrada ressaltou que a dissolução formal da instituição não garante o fim das práticas ilícitas. “Há fortes indícios de que a organização criminosa se manteve em plena atividade, sendo a prisão necessária para cessar a continuidade delitiva”, escreveu.
Relembre o caso
Vorcaro e outros seis executivos foram presos pela PF sob acusação de fraude em títulos vendidos ao Banco de Brasília (BRB). O esquema envolvia a emissão de CDBs com promessa de retorno até 40% acima da taxa básica do mercado, considerada irreal. Segundo a investigação, o esquema pode ter movimentado R$ 12 bilhões.
A prisão de Vorcaro ocorreu horas após o anúncio da compra do Banco Master por um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira. Pouco depois, o Banco Central decretou a liquidação da instituição e a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores.
Situação atual
Vorcaro e outros executivos permanecem detidos na carceragem da Superintendência da PF em São Paulo, conforme determinação da Justiça Federal de Brasília. A defesa insiste que, com a liquidação do banco e a proibição de Vorcaro atuar no sistema financeiro, não há justificativa para manter a prisão preventiva.
O STJ deve analisar o recurso nos próximos dias.
Com informações do G1.