O paraíso turístico de Caraíva, localizado no Extremo-Sul da Bahia, tem sido palco de uma disputa violenta entre facções criminosas que ameaça a segurança de moradores, empresários e visitantes. A rivalidade entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) se intensificou nos últimos meses, com episódios de intimidação, execuções e operações policiais que revelam a complexidade do cenário local.

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Segundo fontes policiais, o CV se estabeleceu em áreas como Nova Caraíva, Jambeiro e Xandó, absorvendo grupos locais como o Anjos da Morte (ADM), liderado até meados do ano por Ramon Oliveira Cruz, conhecido como “Alongado”, morto em operação. Já o PCC incorporou o grupo Mercado Povo Atitude (MPA), de Porto Seguro, sob liderança de André Márcio de Jesus, o “Buiú”, ex-integrante do Baralho do Crime.
A disputa pelo controle territorial tem gerado uma escalada de violência. Traficantes armados com fuzis têm ameaçado pousadas e comércios, restringindo hospedagens e impondo medo à comunidade. Em outubro, cinco integrantes do CV foram mortos em operação policial após denúncias de intimidação a empresários locais.
Casos recentes ilustram a gravidade da situação. Em novembro, o jovem Bento Gabriel Rocha Kroger, de 19 anos, foi assassinado a tiros em frente a uma loja de açaí. Em agosto, Rodrigo Santana de Queiroz, de 25 anos, foi executado enquanto dormia, após publicar fotos com traficantes de Nova Caraíva. Ambos os crimes estão relacionados à disputa entre as facções.
A violência também atingiu inocentes. O guia de turismo Victor Cerqueira, de 28 anos, foi morto durante uma operação policial que buscava capturar “Alongado”. Moradores alegam que Victor foi confundido com um suspeito e levado por agentes antes de aparecer morto. A polícia afirma que houve troca de tiros, mas o caso gerou protestos e revolta na comunidade.
De acordo com um policial militar que preferiu não se identificar, a chegada das facções nacionais intensificou os confrontos. “Antes, os traficantes usavam armas menos potentes. Agora, estão com fuzis e aterrorizam a comunidade. As mortes são frequentes e atingem até quem não tem envolvimento com o crime”, afirmou.
A disputa entre CV e PCC pelo controle de Caraíva reflete um fenômeno mais amplo de expansão territorial das facções brasileiras, que têm se infiltrado em regiões turísticas e estratégicas para o tráfico. A situação exige atenção das autoridades e reforço na segurança pública para proteger moradores e preservar a integridade de um dos destinos mais procurados da Bahia.
Com informações do Correio da Bahia.