Uma ordem imposta pelo Comando Vermelho (CV) no Complexo do Nordeste, em Salvador, chamou atenção pela forma como o poder paralelo interfere na rotina das comunidades. Lideranças da facção determinaram, na semana do Natal, a proibição de motos com escapamentos barulhentos, prática comum entre motociclistas que modificam o veículo para intensificar o ronco do motor.

Foto: Marina Silva.
Reclamações da população
Segundo fontes policiais, a medida foi tomada após uma série de pedidos feitos pelos próprios moradores. Idosos e famílias com pessoas acamadas relataram noites sem dormir devido ao barulho constante, especialmente em casas localizadas às margens das vias. O temor era de que a situação se agravasse durante o período festivo, quando o fluxo de motos costuma aumentar.
Poder paralelo e cotidiano
O episódio evidencia como, em determinadas áreas, ordens do tráfico acabam sendo cumpridas à risca, funcionando como uma espécie de regulação informal da vida comunitária. Embora a decisão tenha atendido a uma demanda legítima da população, ela também expõe a ausência do Estado em garantir condições mínimas de convivência e segurança.
Conclusão
A proibição das motos barulhentas no Vale das Pedrinhas mostra como o poder paralelo se apropria de demandas sociais para reforçar sua autoridade. Ao mesmo tempo em que atende a um pedido dos moradores, a medida escancara a fragilidade da presença institucional e a complexa relação entre comunidade e facções criminosas em Salvador.
Com informações do Correio da Bahia.