Caso do Pico Paraná: MP aponta omissão de socorro e pede indenização

O desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, durante uma trilha no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul (PR), ganhou novos desdobramentos jurídicos. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) entendeu que há indícios de crime de omissão de socorro por parte de Thayane Smith, amiga que o acompanhava na subida da montanha e que, segundo o órgão, teria deixado o jovem para trás mesmo após perceber que ele estava debilitado.

Foto: Montagem própria/divulgação.

Divergência entre MP e Polícia Civil

  • A Polícia Civil havia arquivado o inquérito, concluindo que não houve crime, já que Roberto teria passado mal apenas na subida e estaria bem na descida, quando se perdeu ao pegar uma trilha errada.
  • O MP-PR, porém, apontou dolo (intenção consciente) na conduta de Thayane, destacando que ela sabia das dificuldades físicas do amigo — vômitos, cansaço e condições adversas da trilha — e ainda assim optou por seguir sem prestar auxílio ou acionar autoridades.

Proposta de transação penal

A Promotoria pediu o envio do caso ao Juizado Especial Criminal e propôs medidas alternativas:

  • Pagamento de R$ 4.863 (três salários mínimos) a Roberto, como reparação por danos morais e materiais.
  • Pagamento de R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, que atuou nas buscas por cinco dias.
  • Prestação de serviços comunitários por três meses, cinco horas semanais, junto ao Corpo de Bombeiros.

O desaparecimento

Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro de 2025, com o objetivo de ver o nascer do sol de 2026 no cume do Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil (1.877 m). No retorno, no dia 1º de janeiro, ele se separou do grupo e acabou perdido.

  • Sobreviveu por cinco dias seguindo o rio Cacatu, caminhando cerca de 20 km até chegar a uma fazenda em Antonina, onde pediu ajuda.
  • Foi levado ao hospital para reidratação e recebeu alta no dia 6 de janeiro.

Contexto e repercussão

O caso expôs falhas na gestão do Pico Paraná, como a falta de sinalização adequada, e reacendeu debates sobre responsabilidade em trilhas de alta dificuldade. Enquanto Roberto foi recebido em casa com festa após sobreviver, Thayane agora enfrenta processo judicial e possível condenação por omissão de socorro.

Esse episódio mostra como atividades de ecoturismo exigem preparo físico, responsabilidade compartilhada e atenção às condições de segurança, já que decisões individuais podem ter consequências graves para a vida de outros.

Com informações do G1.

FONTES / CRÉDITOS:

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nossas notícias diretamente em seu email.

Inscrição realizada com sucesso Ops! Não foi possível realizar sua inscrição. Verifique sua conexão e tente novamente.

Anuncie aqui

Fale conosco