Um fenômeno alarmante está chamando atenção de caçadores, pesquisadores e autoridades ambientais na Califórnia: javaporcos abatidos na região de Salinas, no condado de Monterey, têm apresentado carne e gordura com fluorescência azul neon. A coloração incomum, inicialmente tratada como curiosidade, revelou-se um sinal de contaminação por rodenticidas usados na agricultura.

Foto: Dmitri Maruta/Zoonar/picture alliance
O que está acontecendo?
A substância responsável é a difacinona, um veneno anticoagulante tingido de azul brilhante para facilitar sua identificação por humanos. Embora eficaz no controle de roedores, o produto tem sido ingerido por animais selvagens — direta ou indiretamente — e permanece ativo nos tecidos mesmo após o cozimento. Isso representa risco para predadores e humanos que consomem a carne contaminada.
Segundo o Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia (CDFW), os javaporcos expostos ao veneno não morrem imediatamente, mas sofrem hemorragias internas ao longo de dias, tornando-se presas fáceis e vetores involuntários da substância na cadeia alimentar.
Impacto ecológico e histórico
- Em 2018, o CDFW já havia detectado vestígios de rodenticida em:
- 8,3% dos javaporcos analisados
- 83% das amostras de ursos em áreas próximas a projetos de controle de ratos
Os javaporcos, híbridos entre javalis e porcos domésticos, são onívoros e consomem desde iscas envenenadas até roedores moribundos, o que os torna especialmente vulneráveis à contaminação.
Medidas e recomendações
Desde 2024, o uso de difacinona na Califórnia está restrito a técnicos certificados. Ainda assim, resíduos continuam circulando na fauna local. O CDFW recomenda:
- Que caçadores evitem consumir carne de animais com sinais de contaminação
- Que qualquer anomalia seja reportada ao Laboratório de Saúde da Vida Selvagem
- Que agricultores adotem manejo integrado de pragas, com alternativas não químicas como cercas, armadilhas e predadores naturais
Reflexão ambiental
O caso dos javaporcos com carne azul neon levanta um alerta sobre os efeitos colaterais de produtos químicos agrícolas. A contaminação da fauna silvestre, mesmo em áreas protegidas, mostra como o impacto ambiental pode ultrapassar fronteiras invisíveis e atingir espécies não-alvo — inclusive os humanos.
Com informações do G1.