Brasileiros nos EUA usam WhatsApp para evitar imigração e vivem sob medo de deportação

Comunidades relatam alerta constante sobre operações do ICE, escolas vazias e impacto econômico

Foto:  Getty Images via BBC

Medo de deportação altera rotina de brasileiros nos EUA

Imigrantes brasileiros nos Estados Unidos relatam estar evitando sair de casa, trabalhar e até levar os filhos à escola com medo das operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Em grupos de WhatsApp, eles compartilham informações em tempo real sobre a presença de agentes federais em suas regiões.

“Está muito complicado, muito tenso. O medo é deixar as crianças para trás”, conta um imigrante da Flórida, que pediu anonimato. Ele teme ser deportado e se separar dos filhos, que nasceram no país.

Prisões e deportações crescem

Desde o início do novo governo de Donald Trump, mais de 11 mil imigrantes ilegais foram detidos, segundo a Casa Branca. Recentemente, 199 brasileiros foram repatriados em dois voos para o Brasil.

As operações do ICE estão sendo intensificadas em bairros com grande presença de imigrantes. “Eles já pegaram uns dois ou três no condomínio de um amigo meu”, relata um trabalhador da construção civil.

WhatsApp vira ferramenta de alerta

A estratégia de monitoramento da imigração se fortaleceu com grupos no WhatsApp, onde brasileiros trocam informações sobre a movimentação do ICE. “O pessoal fica de vigia e avisa quando a imigração está na área”, explica André Simões, gerente do Brazilian Worker Center, organização que presta assistência a imigrantes em Boston.

A entidade tem recebido um alto volume de pedidos de ajuda financeira, pois muitos brasileiros têm medo de sair para trabalhar e estão sem renda.

Escolas vazias e impacto na educação

O temor da deportação também está afetando a educação das crianças. Segundo uma professora brasileira em Massachusetts, as faltas aumentaram 50% desde a posse de Trump.

“As crianças perguntam: ‘E se o ICE vier aqui? Se me pararem no ponto de ônibus? Vocês vão me ajudar?’”, relata a docente, que pediu anonimato.

A insegurança cresceu após o governo revogar a diretriz de 2021 que impedia o ICE de atuar em escolas, igrejas e hospitais. Agora, agentes podem prender imigrantes até mesmo nesses locais.

Comunidade busca orientação jurídica

Diante do cenário de medo, organizações imigratórias realizam eventos sobre os direitos dos imigrantes. Igrejas e centros comunitários promovem encontros com advogados para ensinar como agir em caso de abordagem do ICE.

O advogado Antonio Massa Viana alerta, no entanto, para o risco da disseminação de fake news em grupos de WhatsApp. “Tem um lado positivo em se manter informado, mas às vezes isso gera pânico desnecessário”, diz.

Segundo ele, nem todos os imigrantes estão sujeitos à deportação acelerada, e alguns podem apresentar defesa legal dependendo de sua situação. “O importante é buscar instituições sérias para receber informações corretas”, reforça.

Com informações do G1.

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