Brasil terá novas regras para uso de redes sociais por crianças e adolescentes a partir de 2026

O Brasil se prepara para implementar, em março de 2026, um conjunto de medidas voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Diferente da Austrália, que proibiu o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, a legislação brasileira não estabelece restrição total, mas impõe exigências de verificação de idade e supervisão parental.


Foto: Arquivo.

O que muda com o ECA Digital

As regras fazem parte do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), aprovado em setembro, e obrigam plataformas e lojas de aplicativos a adotar mecanismos de segurança. Entre as principais medidas estão:

  • Verificação de idade obrigatória: não será mais aceita a autodeclaração (“sim, tenho mais de 18 anos”). Plataformas deverão usar métodos como análise de comportamento, envio de selfie com reconhecimento facial ou documentação oficial.
  • Vinculação de contas: perfis de menores de 16 anos deverão estar ligados às contas de seus responsáveis.
  • Supervisão parental: redes sociais precisarão oferecer ferramentas acessíveis para acompanhamento da atividade dos jovens.
  • Proteção contra conteúdos nocivos: plataformas devem prevenir acesso a exploração sexual, violência, pornografia, jogos de azar, bebidas alcoólicas e tabaco.

Penalidades para descumprimento

Empresas que não cumprirem as exigências poderão sofrer advertência, multas de até R$ 50 milhões ou 10% do faturamento, além de suspensão ou proibição de funcionamento no Brasil.

Outras proibições previstas

O ECA Digital também estabelece:

  • Fim das loot boxes em jogos voltados para crianças.
  • Proibição de classificação de menores em grupos para publicidade direcionada.
  • Bloqueio da monetização de conteúdos erotizados envolvendo crianças e adolescentes.
  • Obrigatoriedade de relatórios semestrais de transparência para plataformas com mais de 1 milhão de usuários.

Debate sobre privacidade e dados

Especialistas destacam que a verificação de idade deve respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o princípio do “melhor interesse da criança”. Isso significa que os mecanismos não podem transformar menores em alvo de exploração comercial. Soluções como a chamada Prova de Conhecimento Zero (Zero-Knowledge Proof) estão em estudo, permitindo confirmar apenas se o usuário é maior de idade sem expor sua data de nascimento.

Educação digital como complemento

Organizações como o Instituto Alana ressaltam que a verificação de idade, isoladamente, não resolve o problema. É necessário investir em educação midiática e ampliar o pensamento crítico dos jovens para que tenham autonomia e segurança no uso das redes.

Com informações do G1.

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