O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado em 2015. Foram 1.470 casos entre janeiro e dezembro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, superando os 1.464 registros de 2024, até então a maior marca. A média representa quatro mulheres mortas por dia no país, em circunstâncias ligadas à violência de gênero.

Foto: Marcelo Camargo.
Os números ainda podem crescer, já que os dados de dezembro referentes ao estado de São Paulo não foram totalmente atualizados na base federal. Mesmo assim, o estado aparece como o que mais concentra casos, com 233 registros. Minas Gerais, com 139, e Rio de Janeiro, com 104, vêm na sequência. Desde 2015, quando foram contabilizadas 535 mortes, houve um aumento de 316% em dez anos. No período, 13.448 mulheres foram assassinadas pelo fato de serem mulheres, o que representa uma média de 1.345 crimes por ano.
Entre os casos que marcaram o ano, está o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, em São Paulo. Ela morreu após quase um mês internada em estado grave, depois de ser atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê pelo ex-ficante. No Recife, a violência extrema resultou na morte de Isabele Gomes de Macedo, de 40 anos, e de seus quatro filhos, com idades entre 1 e 7 anos, após o companheiro atear fogo na casa da família.
Em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que endurece as penas para feminicídio. A punição, que antes variava de 12 a 30 anos de prisão, passou a ser de 20 a 40 anos. O texto prevê agravantes em situações específicas, como quando a vítima está grávida, nos três meses após o parto, é menor de 14 anos ou maior de 60. Também haverá aumento de pena quando o crime for cometido na presença de filhos ou pais da vítima.
Os dados reforçam a persistência da violência contra mulheres no Brasil e apontam para a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção e enfrentamento, além da aplicação rigorosa da lei recém-aprovada.
Com informações do G1.