O Brasil apreendeu 447,09 kg de ouro ilegal entre janeiro e o início de dezembro de 2025, segundo dados da Polícia Federal. O volume é quase quatro vezes maior que o registrado em 2024 (100,7 kg), marcando um crescimento de 344%.

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Roraima lidera operações
O estado de Roraima responde por 213,69 kg, ou seja, mais de 47% do total nacional. A maior apreensão do ano — e da história da Polícia Rodoviária Federal (PRF) — ocorreu em agosto, em Boa Vista: 103 kg de ouro, avaliados em R$ 61 milhões, foram interceptados com o empresário Bruno Mendes de Jesus, condenado a 8 anos e 11 meses de prisão.
Outros estados também registraram grandes apreensões:
- Amazonas: 73,71 kg
- São Paulo: 46,74 kg
- Pará: 40,28 kg
- Rondônia: 6,95 kg
- Mato Grosso: 6,45 kg
- Amapá: 4,11 kg
No total, mais de 345 kg foram apreendidos na Amazônia Legal, confirmando a região como epicentro da atividade ilegal.
Valor estimado
O ouro apreendido equivale a cerca de 14,37 mil onças troy. Com a cotação internacional de US$ 4.385,15 por onça (22/12), o montante chega a aproximadamente US$ 63 milhões, ou R$ 348 milhões.
Rotas e logística
Segundo o delegado da PF em Roraima, Caio Luchini, criminosos aproveitam a fronteira com Venezuela e Guiana para escoar o minério extraído ilegalmente em outras regiões da Amazônia. As principais rotas identificadas são as rodovias BR-401 (Bonfim/Guiana) e BR-174 (Venezuela).
A PF aponta que muitos transportes simulam viagens em família para tentar burlar fiscalizações. O projeto Ouro Alvo, em Brasília, busca rastrear a origem do minério por meio de análises laboratoriais.
Contexto histórico
Pesquisadores lembram que Roraima tem tradição ligada ao garimpo ilegal. O sociólogo Rodrigo Chagas, da Unicamp, explica que redes conhecidas como “patrões de garimpo” organizam há décadas a logística e o comércio clandestino, aproveitando a proximidade com países vizinhos para misturar ouro ilegal ao mercado formal.
Razões para o aumento
Entre os fatores que explicam o crescimento das apreensões estão:
- Fim da presunção de boa-fé nas transações de ouro, determinada pelo STF em 2023.
- Exigência de nota fiscal eletrônica e regras mais rígidas para comercialização.
- Intensificação das operações contra o garimpo ilegal em terras indígenas e nas rotas terrestres de escoamento.
Conclusão
O recorde de apreensões em 2025 expõe a dimensão do problema do ouro ilegal no Brasil e reforça a necessidade de fiscalização contínua. Roraima, pela posição estratégica, tornou-se o principal ponto de saída do minério clandestino, enquanto autoridades buscam rastrear a origem e desarticular redes históricas de garimpo na Amazônia.
Com informações do G1.